Uma bizarria, quando Sócrates - assessorado por Lacão fez aprovar a Barragem de Almourol, no Plano Nacional de Barragens - pensou em "afundar" o açude colocando-lhe mais 7 metros de água em cima. Da cota 24 do "mar de Abrantes" - ridícula expressão que até afugentava turcos, quanto mais germânicos ou ingleses - passava-se para o leito de albufeira na cota 31.
Almourol continua no plano aprovado. O açude não se sabe até quando é que se pode manter insuflado...
A "grande obra de Nelson", no dizer "atabalhoado" de certo advogado, logo após ter recolhido 2500 assinaturas para um movimento de "independentes" de que foi mandatário fugaz. Movimento esse que na sua génese promocional pretendia com soberba, "acabar com a má governação PS ( do dito Nelson, entenda-se)". Abrantes não há meio de livrar-se das trapalhadas...
Quando metade dos dois milhões de lisboetas não sabe precisar muito bem, de onde vem a água que bebe na região de Lisboa, nem sente a necessária simpatia pela bondade da albufeira do Castelo de Bode torna-se incompreensível ver a autarquia abrantina deixar passar esse tema tão valioso, no ignomioso silêncio em que vive.
A cidade e o seu castelo para quem circulasse na EN 358, deviam enquadrar-se com outra nitidez paisagística e outra proximidade cultural e social, tanto com a moldura emblemática dos 60 e tal quilómetros das margens ribeirinhas da grande albufeira, que se estendem por todo o norte do concelho, como com a magestosa visão da cidade e do seu castelo lá no alto. Circular na EN 358 teria sempre que ser um circuito de frescura e amena brisa com amplas vistas sobre a extensa albufeira e ao mesmo tempo deixar ver a cidade e o seu castelo. Desde a A1 até à A 23, teriam sempre que aparecer mais cartazes convidativos. E tirando o nó de Montalvo, nunca mais se vê falar do Castelo de Bode. Os alemães e ingleses, se soubessem disso, até se coçavam todos de raiva, por ver tanta estupidez junta...
Os 6 kms do Vale da Cerejeira tinham que fazer essa ligação encurtada para 10 kms entre a cidade de Abrantes e a albufeira, abrindo-se em seu redor largos hectares de olival e vinha.
Uma obrigação clara, dentro do conceito de protecção contra incêndios, quebrando a contiguidade altamente explosiva de centenas de hectares de pinhal desde as Fontes e o Sardoal até Constância e ainda S. Vicente, já na cidade de Abrantes, nessa parte contígua ao Vale da Cerejeira que toda a gente finge ignorar, de que passou por lá o fogo, quer em 2003, quer em 2005.
Sem um plano estratégico desta amplitude, tudo o que se faça em Abrantes nunca irá medrar. Os 25 mil milhões da CE, até 2020 podem passar ao lado. Mesmo que os mesmos visem a "competitividade" do país.
Competitividade que possa captar mais do que 1% dos vários milhões de turistas alemães que fogem de Portugal. Ou dos 3,6% dos milhões de turistas ingleses que não desembarcam no nosso país.
Tudo isto, antes dos mercados da Turquia e do Egipto reabrirem.
Competitividade, para que vos quero!