A aristocracia local invocada por tantos, não se livra desta história hilariante, que põe a nu um gene bajulador que ridicularizou Abrantes.
Portanto, quando alguém escreve um dislate destes:
«Prova que um aristocrata pode ser um às nos negócios, não é preciso ter sido servente e nascer no Souto para ganhar muito dinheiro.»
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Agora vamos ao gene bajulador patenteado pelo 1º Conde de Abrantes, D. Lopo de Almeida.
Na célebre reunião no Castelo de Abrantes, onde a aristocracia local e nacional quis levar D. João Mestre de Avis a não ir dar luta aos Castelhanos em Aljubarrota, deixando D. Nuno - o Santo Condestável - isolado no seu propósito, que levou por diante na madrugada seguinte, a dado passo - contou o Prof. Hermano Saraiva - uma fogueira acesa estaria a deixar o rei muito indisposto, ao que o jovem D. Lopo logo acudiu colocando-se com o seu enorme capote entre o assento do rei e a fogueira, para assim o calor já não o afrontar tanto.
O rei reconhecido por aquela mostra de servilismo de D. Lopo, não tardou a conceder-lhe o título de Conde de Abrantes...
E na Corte correu de imediato a consequente anedota, sempre que alguém parecia querer "engraxar" o rei, ao que logo não falatava quem dissesse com sibilina ironia:
- Deixa-te dessas mesuras, porque Abrantes já é dada...!
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Aqui está este gene sui generis, que não deixa de ainda pairar - e muito - por Abrantes. Talvez para sermos mais rigorosos e justos, que caiba a D. Francisco de Almeida, a honrosa excepção de nunca ter deixado desenvolver dentro de si, semelhante gene...!
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Mais: Faz hoje 56 anos que desembarquei a primeira vez em Santa Apolónia, vindo do Souto, quando a água já havia subido na albufeira. Pode a certa aristocracia dizer o que quiser de mim. Só não me pode acusar de voltar as costas à minha terra, como ela sempre o fez, só vindo cá buscar as sobras de herança perdida ou de alguma mordomia reivindicativa.
Qual foi a resposta da aristocracia abrantina, quando as freguesias do Norte do concelho foram desapossadas das suas terras?
Alguém arquitectou um plano social e de desenvolvimento sustentado para as ditas freguesias, com cerca de Oito mil habitantes no censos de 1950?
Alguém arquitectou um plano de integração?
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Eram pedreiros e carpinteiros ou assim enveredaram a espensas próprias. Sem ninguém a ajudá-los, na cidade de Abrantes. Ganharam o dinheiro honradamente. Só um alarve ou canalha poderá opôr-se a isso. Talvez que preferisse vê-los morrer num campo de concentração, como fizeram os "nazis".
Também é verdade, que nenhum soutense poderá ser acusado de ter acrescentado um piso a mais na sua casa, frente ao Castelo, no Centro Histórico...
Assim outros pudessem dizer o mesmo...
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