
O meu artigo publicado na ABARCA:
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Porquê o “regresso” da barragem de Almourol?
«A razão assenta na assimetria da informação. O vendedor sabe sempre muito mais sobre o produto do que o comprador. Esta teoria (the market for lemons) deu a George Akerlof o Nobel da Economia em 2001. Akerlof explicou que quando alguém compra um carro em segunda mão, tem muitas dúvidas: não sabe realmente se leva um carro bom ou mau, isto é, se compra cereja ou limão.
Afinal, havia muita cereja nos caudais perdidos pelo Zêzere, Nabão, rio Tejo abaixo.
«A razão assenta na assimetria da informação. O vendedor sabe sempre muito mais sobre o produto do que o comprador. Esta teoria (the market for lemons) deu a George Akerlof o Nobel da Economia em 2001. Akerlof explicou que quando alguém compra um carro em segunda mão, tem muitas dúvidas: não sabe realmente se leva um carro bom ou mau, isto é, se compra cereja ou limão.
Afinal, havia muita cereja nos caudais perdidos pelo Zêzere, Nabão, rio Tejo abaixo.
No Castelo de Bode abriram-se as comportas sem fazer passar a água pelas turbinas. O potencial hídrico ainda tem muito a dar. O retorno a Almourol tornava-se inevitável.
Vale a pena os consumidores da EDP lerem o cabeçalho das suas facturas, para verem a origem da energia que consomem: gás natural 27,7%, eólica 23 %, hídrica 17,5 %, carvão 15,4 %.
Quanto à energia eólica assinale-se a saturação na sustentabilidade. A falta de capacidade de armazenamento nas albufeiras nestas madrugadas de vendavais, impediram mais bombagens de retorno movidas pelas eólicas, tendo sido cedida energia eólica a custo zero a Espanha, como denunciou o ex-ministro Mira Amaral no “Expresso”. Portanto, mais nos obriga a aproveitar ao máximo o armazenamento dos caudais dos nossos rios, antes de ralhar tanto com os espanhóis.
Espanta como o site da Câmara de Abrantes retirou do “pacote” de notícias do “Expresso” de há quinze dias, a nota sobre o interesse da espanhola Endesa nessa barragem de Almourol, como se essa barragem, não fosse útil à “bandeira”: Abrantes Capital da Energia.
Presente no concurso público falhado sobre Almourol (na versão premeditadamente tonta da Fatacinha à cota 24), ouvi dos representantes de duas concorrentes, que o interesse em Almourol se mantinha intacto. Era uma questão de tempo e de oportunidade. Anotei e frisei esse interesse. A prova está aí.
Quanto a armazenamento de águas, o leito do rio Torto (um afluente meio seco do Tejo) tem um enorme potencial desprezado, cujo lençol freático, que chega até Alcácer do Sal e Grândola, muito agradecia.
Como a barragem seria mais de “fio de água”, o nível de cota dependeria sempre do caudal das cheias. Em 1979, na maior cheia do século, as águas subiram até à cota 35. Não havia barragem. Nem capacidade de armazenagem nos últimos quilómetros antes da foz desse rio Torto, quando trabalhado pela engenharia hidráulica poderia acolher as bombagens de transvase alimentada pela energia eólica – essa mesma cedida gratuitamente a Espanha. As cheias do rio Tejo amainavam. Havia mais riqueza. Havia mais cereja e menos limão, neste nosso bolo. A diferença com a Grécia também passava por aí…»
João Baptista Pico
Abrantes
Vale a pena os consumidores da EDP lerem o cabeçalho das suas facturas, para verem a origem da energia que consomem: gás natural 27,7%, eólica 23 %, hídrica 17,5 %, carvão 15,4 %.
Quanto à energia eólica assinale-se a saturação na sustentabilidade. A falta de capacidade de armazenamento nas albufeiras nestas madrugadas de vendavais, impediram mais bombagens de retorno movidas pelas eólicas, tendo sido cedida energia eólica a custo zero a Espanha, como denunciou o ex-ministro Mira Amaral no “Expresso”. Portanto, mais nos obriga a aproveitar ao máximo o armazenamento dos caudais dos nossos rios, antes de ralhar tanto com os espanhóis.
Espanta como o site da Câmara de Abrantes retirou do “pacote” de notícias do “Expresso” de há quinze dias, a nota sobre o interesse da espanhola Endesa nessa barragem de Almourol, como se essa barragem, não fosse útil à “bandeira”: Abrantes Capital da Energia.
Presente no concurso público falhado sobre Almourol (na versão premeditadamente tonta da Fatacinha à cota 24), ouvi dos representantes de duas concorrentes, que o interesse em Almourol se mantinha intacto. Era uma questão de tempo e de oportunidade. Anotei e frisei esse interesse. A prova está aí.
Quanto a armazenamento de águas, o leito do rio Torto (um afluente meio seco do Tejo) tem um enorme potencial desprezado, cujo lençol freático, que chega até Alcácer do Sal e Grândola, muito agradecia.
Como a barragem seria mais de “fio de água”, o nível de cota dependeria sempre do caudal das cheias. Em 1979, na maior cheia do século, as águas subiram até à cota 35. Não havia barragem. Nem capacidade de armazenagem nos últimos quilómetros antes da foz desse rio Torto, quando trabalhado pela engenharia hidráulica poderia acolher as bombagens de transvase alimentada pela energia eólica – essa mesma cedida gratuitamente a Espanha. As cheias do rio Tejo amainavam. Havia mais riqueza. Havia mais cereja e menos limão, neste nosso bolo. A diferença com a Grécia também passava por aí…»
João Baptista Pico
Abrantes