Importa mais salientar que a Colecção Estrada andou demasiado tempo ignorada por Abrantes.
Ainda hoje, todo o processo parece mobilizar mais as elites numa "petição" grotesca, ou alimentar as más línguas sobre a forma de aquisição das peças. Tudo por junto, acabaou por redundar na discussão do "sexo dos anjos".
Porque razão, o poder executivo municipal do PS que já sabia há anos da tentativa de reconstrução de um espaço no Rossio ao Sul do Tejo, não pegou no assunto mais cedo?
Nesse tempo, só havia olhos para as outras obras megalómanas, Parques Desportivos e Aquapolis.
Só em 2005 e 2006 é que tomaram caminho as negociações para a "doação" da Colecção. Porém, os dois protagonistas dessa discussão por parte da Câmara ( presidente e vice-presidente) já andavam no jogo do borda-fora. Nelson Baltazar avisava ( no dizer do Arquitecto Albano Santos) que estava para breve a saída do outro Nelson, por isso que se preparasse o vice para subir a chefe.
Por muito valiosa que fosse a Colecção, nada os demoveu daquela "guerrinha da sucessão". A sucessão foi o que foi e o dito MIAA é o que não podia deixar de ser...
Tudo isto passou-se em Abrantes, sem que Abrantes tomasse conhecimento de nada.
Depois houve o pretexto da Torre, a construir em altura... Será que subterrânea teria tido melhor êxito?
Será que não havia onde meter a Colecção num piso térreo e único? Infelizmente, a insegurança vivida localmente, não parece favorecer essa tese. O que "favoreceu" a discussão foi poderem aparecerem uns tantos que contestando a Torre, faziam jogo duplo: ia a Torre e ia o Museu borda-fora: nada feito!
É essa, precisamente a grande matriz de Abrantes!
