«O bispo Carlos Azevedo afirmou hoje que, nos últimos tempos, foram feitas "opções políticas erradas" e acusou o Estado e os políticos de falta de regulação e vigilância, o que terá conduzido à "gravíssima situação" que o país atravessa.
Em entrevista à agência Lusa a propósito do XXVII Encontro da Pastoral Social, que decorre entre terça e quarta-feira em Fátima, o bispo Carlos Azevedo disse que, nos últimos decénios, "houve um conceito de desenvolvimento demasiado ganancioso".
"Houve uma falta de regulação e os políticos e o Estado têm essa missão, mas não regularam nem vigiaram", disse o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social.
Carlos Azevedo defende que "quem assuma cargos de gestão pública, seja a que nível for, tenha uma profunda ética, pois foi a falta de ética da economia e da política que levaram a alguns descalabros".
O bispo comentou os cortes previstos, considerando que, "perante uma situação tão grave, as medidas também têm de ser muito fortes". "São tempos de fazer uma opção, sobretudo para viver de modo mais simples, simplesmente, para que outros possam simplesmente viver", disse.
Carlos Azevedo alertou para o risco de as medidas limitarem as pessoas a "uma visão financeira da vida e a vida tem outras dimensões". » in entrevista à Lusa