«Portugal foi afetado por uma enorme vaga de incêndios no verão de 2003, entre 27 de julho e 15 de agosto, altura em que o País passou por uma das maiores vagas de calor de sempre. Ao todo arderam cerca de 300 mil hectares de floresta, morreram 18 pessoas, cerca de 85 foram desalojadas e centenas tiveram de ser evacuadas das suas casas. As zonas mais afetadas foram Vila de Rei, Oleiros e Idanha-a-Nova (no distrito de Castelo Branco), Mação, Abrantes e Chamusca (Santarém), Nisa (Viseu) e o Pinhal de Leiria, que perdeu um quarto da sua área florestal. Nos últimos dias da vaga de incêndios a tragédia ocorreu principalmente no Algarve, nomeadamente em Portimão, Monchique e Aljezur. Quinze dos dezoito distritos portugueses foram afetados por fogos durante esta vaga.
Ao todo, e em simultâneo, estiveram em ação no combate aos fogos cerca de três mil bombeiros, apesar de haver cerca de 40 mil inscritos em Portugal. Para ajudar foram mobilizados mais de 700 militares, sendo impossível contabilizar os muitos civis que tentaram pelos seus meios impedir a propagação de fogos.
No combate aos fogos estiveram envolvidas cerca de 800 viaturas, 25 helicópteros e 20 aviões. A nível de aeronaves Portugal contou com a ajuda de meios provenientes de Espanha, Itália, Alemanha e Marrocos.
Tratou-se da maior área ardida em Portugal desde 1980, data a partir da qual passaram a existir registos organizados e sistemáticos relativos a incêndios. Até 2002 a média anual de área ardida era de 93 600 hectares e o ano com mais prejuízos por causa de incêndios tinha sido 1991, quando arderam 182 486 hectares. Nos incêndios do verão de 2003, 75% da área ardida correspondia a povoamentos florestais e os restantes 25 % a mato. Até então a média era de 60 % de matos e 40% de povoamento florestal.
A 3 de agosto, o Governo declarou o Estado de Calamidade Pública, o que resultou na prática na libertação de 50 milhões de euros para apoios sociais, bombeiros, indemnizações e reflorestação. »
Um Estado que concedeu 50 milhões de euros para a reflorestação, apoios sociais, indemnizações e bombeiros, em 2003, quando só num ano a receita da floresta é de 3 mil milhões de euros não é um Estado com autoridade MORAL para que em seu nome , um qualquer governante ou um desses muitos autarcas ignorantes possam vir a público mandar os proiprietários cortarem os matos, como se ainda vigorasse no nosso país a Lei da Escravatura.
Primeiro, quem manda cortar os matos é ignorante, porque nem sabe que os matos fazem parte da natureza florestal e têm também o seu espaço ecológico no habitat da floresta.
Segundo, só os imbecis poderiam culpar os privados, - que desde 1867 triplicaram o espaço da nossa floresta, à sua custa - fosse no que fosse, quando o Estado não garantiu a protecção contra incêndios como se comprovou diante do desastre ambiental destes últimos 31 anos, nem institui a obrigatoriedade do ordenamento florestal segundo um competente mosaico das diversas espécies.
Portanto, as autoridades em matéria de corte dos matos - e não só! - estão a ser intelectualmente desonestas e quiçá pérfidas e cínicas.