«Ora esta compensação é um direito condicionado à inexistência de habitação do próprio na cidade de Lisboa (ou num raio de 100 km), seja esta uma morada fiscal ou não. Será que o Ministro e o secretário de Estado em causa são prejudicados por terem de fixar a sua residência em Lisboa? Não, visto que já têm uma habitação própria e, a confiar nas informações disponibilizadas, não se encontram emprestadas nem alugadas a terceiros.
-O diploma legal estipula um tecto máximo (75% do valor de ajudas de custo para a correpondente categoria da função publica) mas não obriga a este valor. O valor pode ser menor desde que tal não implique prejuizo económico para o governante em questão. Ora pelo que leio no despacho assinado por Pedro Passos Coelho, todos os governantes foram agraciados com o montante máximo independentemente da solução encontrada para a sua permanência na cidade de Lisboa. Ora, dita o bom senso, que quem pede parcimónia e sacrificio aos governados, seja exemplo frugal nas ajudas recebidas e, acima de tudo, tenha muito bem preparada uma explicação para não parecer que está a tentar meter a mão no pote.
-Causa também perplexidade que, segundo o mesmo diploma, seja por proposta do Ministro das Finanças, imagino que com conhecimento dos visados, que este subsidio é aprovado. Ou seja, teve de haver uma manifesta expressão de interesse por parte dos governantes em verem este seu direito reconhecido. Ora, se eu tenho casa em Lisboa, mas a minha morada fiscal está no Porto ou noutro sitio qualquer e eu digo que tenho necessidade de um apoio para não ter prejuizo económico no desempenho das minhas funções, no minimo, sou um trafulha. Trafulha legal, mas trafulha.
Toda esta estória adquire laivos de ridiculo provincialismo, bem expressas na atitude irritada de um Ministro que não tem vergonha na cara de vir afirmar que abdica desse seu direito, como se isso sequer resolvesse o problema. O problema maior não é o Ministro receber mais de 12 000 €/ ano para uma habitação que já tem, o problema maior não é o Ministro achar que este subsidio é um direito, o problema maior é a falta de carácter demonstrada, o problema maior é roubar parte do salário dos portugueses (esse sim um direito!) e tentar acabar a polémica com um “é meu direito, mas eu abdico” claramente contrariado.» by Rafael Fortes, in 5dias.net
