A nova urbanidade do Souto,
a partir da implantação da sede da Sociedade Recreativa e da Rua J. Pimenta
A nova urbanidade do Souto nasceu com as implantações da sede da Sociedade Recreativa do Souto e do campo de futebol, a par da Rua J. Pimenta, que geraram de seguida outras implantações de equipamentos urbanos de grande relevância social: a Casa do Povo, o Posto Médico, e o Centro de Dia.
Acto contínuo, a criação e a implantação dos depósitos da CIDAS, a Cooperativa de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola do Souto ficaram desde logo facilitados pelo aproveitamento de espaços anexos à colectividade recreativa.
Paradoxalmente, esta nova urbanidade bem definida e melhor centralizada nada ficou a dever ao ordenamento do território que surgiria cerca de vinte anos depois, com o controverso e estúpido PDM. Esta é a verdade. Uma verdade que uns tolos irão continuar a negar, por conveniências jacobinas. O mesmo jacobinismo que nos leva ainda a tolerar certas demagogias ruinosas propaladas pela esquerda.
Em 1975 foi construído este depósito aéreo, para recolher a água captada a cerca de 600 metros de distância, na Ribeira do Souto. Só vinte e quatro anos após Castelo de Bode, é que a freguesia de Abrantes mais martirizada pelo crescimento da albufeira, viu um retorno do empreendimento nacional. Todavia, se o obteve, teve que o pagar através da quotização dos seus 250 sócios. E ainda vencer com alguma astúcia e determinação os impedimentos preparados nos Paços do Concelho, pelo Engº Bioucas e o seu chefe de departamento de urbanismo e obras municipais, Engº Serafim, ambos apostados em indeferir esta construção e a própria instalação da CIDAS na sede da freguesia, alegando que ao fazer distribuir a rede de água de rega pelas ruas da povoação, estaria a competir com a intenção dos SMA, que dez anos mais tarde (1985) chegaram com a distribuição de água da rede pública, através de uma onerosa capatção nas minas dos Lameiros da Bouça, a 3 kms da sede da freguesia do Souto, quando a albufeira estava a 600 metros e com o stock que todos davam como garantido., inclusivé para a Grande Lisboa.
Por aqui já se vê como o critério das vistas curtas imperava em toda a linha e mais uma vez pela mão da esquerda socialista, cujo patrono era Mário Soares.
Estas realidades locais colocam desde logo, uma séria interrogação, não só à capacidade administrativa da época, como ao desempenho ruinoso da administração local, que não tinha estratégia alguma para o todo municipal, nem conseguia perceber a importância de uma cooperativa, na sustentabilidade futura de uma terra que podia desaparecer arrastada pela crueldade da desertificação tão expectável, já nessa altura.
ESTUPIDEZ em toda a linha!
Tudo quanto se conseguiu de bom na freguesia do Souto, passou sempre pela visão e pelo empenho de soutenses mais arrojados e dignos. E muito pouco pelo empenho ou o carinho da autarquia municipal. Por regra, a junta de freguesia actuou sempre com um pé fora e outro dentro, havendo situações em que esteve contrária aos interesses da terra e de mãos dadas com a indiferença municipal, que nunca contrariou.
Quando estas situações acontecem, tudo se torna tão difícil, que tudo se perde...