O salário e o equilíbrio da economia.
«Porque a descida dos salários (dos privados) é fundamental para o equilíbrio da nossa economia.
A nossa economia tem 4 grandes desequilíbrios.
A) O Défice Público - Estado tem um despesa muito maior (+20%) que a receita;
B) O Desemprego - No mercado de trabalho o número de pessoas que querem trabalhar é muito maior (+700mil) que o número de empregos que existem (ao ordenado vigente);
C) O Défice Corrente - O que importamos do exterior é muito maior (+40%) que aquilo que exportamos (mais outras verbas);
D) A Falência do Sistema Bancário - A taxa de juro a que os bancos se conseguem financiar é muito maior (+ 5 pontos percentuais) que a taxa de juro que os bancos recebe dos seus devedores (contratos indexados à EURIBOR).
O Passos Coelho está a tentar meter o Défice Público na trajectória acordada com a Troika.
Mas há os outros desequilíbrios que estão a destruir a nossa economia e que apenas a descida dos salários conseguem equilibrar de forma eficiente (o B, C e D).
Já expliquei porque os salários equilibram o mercado de trabalho.
Quando existe desemprego, o "pedido à fada madrinha" deveria ser que houvesse crescimento económico. Como eu não acredito em fadas madrinhas, a única solução é reduzir o salário.
1 - O Stiglitz é Prémio Nobel mas está errado
2 - O Stiglitz é Prémio Nobel mas está errado - 2
3 - Os salários e o equilíbrios da economia
Havendo uma redução no salário, as empresas passam a querer contratar mais trabalhadores e menos pessoas irão querer trabalhar.
Com uma redução de 25% nos salários, prevejo que, dos 700 mil desempregados, 500 mil seriam absorvidos pelas empresas e 200 mil deixariam de querer procurar trabalho.
Mas a diminuição dos salários tem um efeito negativo nas contas públicas.
Tem como efeito directo uma redução nas contribuições da Segurança Social, SS, e do IRS.
Por exemplo, uma redução de 14.3% dos salários (os 2 subsídios) levará a uma redução de 14.3% nas contribuições para a SS (próximo dos 2 mil milhões€) e uma redução de 20% no IRS (próximo dos 3 mil milhões €). A quebra de receitas totais estará próximos dos 5 mil milhões €.
Estamos a falar numa redução na receita do "Orçamento do Estado" na ordem dos 3% do PIB.
Este número assusta o Passos Coelho.»
