Existe uma lenda sempre lembrada nos livros de fábulas jurídicas, do Moleiro e do Imperador da Alemanha, a saber:
Certo moleiro e pequeno proprietário possuía um moinho encravado no meio de um terreno ao lado de uma propriedade do imperador da Alemanha, onde este construiu o seu palacete e um parque, mas que perdia boa da visibilidade que sua Alteza muito apreciava, tudo por causa do "espantalho" do moinho. Por acaso, não era um camião TIR, só porque nesse tempo ainda não havia camiões.
O imperador chama o humilde cidadão e tenta, sem sucesso, convencê-lo a vender o moínho. Exasperado, passa a ameaçar fazer uso de seus poderes imperiais, para desalojar o moleiro. Sem temor, o moleiro rechaça as ameaças, afirmando:
O imperador chama o humilde cidadão e tenta, sem sucesso, convencê-lo a vender o moínho. Exasperado, passa a ameaçar fazer uso de seus poderes imperiais, para desalojar o moleiro. Sem temor, o moleiro rechaça as ameaças, afirmando:
- “Ainda existem juízes em Berlim”.
Esta história nunca poderia ter acontecido na Abrantes deste "poder local". Não é que em Abrantes não existissem juízes capazes de contrariarem o poder autárquico, nestes moldes tão puros e genuínos. Só que as leis, muitas delas feitas aprovar pelo presidente da assembleia municipal, J. Lacão não o permitiriam mais...
E o sentido de justiça equitativa dos vereadores do PSD não vão tão longe, ao ponto de ser reconhecida pelos 37 mil eleitores, como a Justiça de Berlim era reconhecida por um simples moleiro germânico, no séc. XVIII.
Nós no séc XVIII tínhamos o Maneta por cá a ditar ordens...e terror...!
Esta é uma lenda muito ao gosto da magistratura e representa um ideal de juiz que vive em nossos sonhos.
