Abrantes sempre foi uma cidade que sobreviveu das necessidades e das especificidades inerentes ao conceito de defesa militar.
Logo, a defesa militar faz-se com agentes militares que seguem uma disciplina e uma ordem militar. Daí, até essa disciplina e essa ordem inerentes a prática militar acabar por influenciar a a cidadania ia um passo muito curto.
Juntem-lhes agora ao "adn" militar os genes cruzados com outra parte da poipulação mais interventiva na cidadania, como funcionários públicos civis, mestres escola e professorado em geral e imediatamente atingimos uma característica muito peculiar: a militarização da cidadania.
A militarização da cidadania é a negação da verdadeira cidadania, entendida no mundo ocidental e moderno, como sociedade civil organizada segundo padrões universais, democráticos e pluralistas.
Quando num concelho existem pelo menos doze entre dezanove freguesias que estão mais afastadas dos centros urbanos citadinos e acabam por serem classificadas num ambiente de puro ostracismo, por freguesias rurais, mais se acentuam as sobrecargas de repulsa dos agentes administrativos da sede concelhia para com os fregueses do mundo rural.
Querer insistir em eleições do poder local, quando o "colégio eleitoral" se restringe a metade dos eleitores, mais submissos à elite militarista municipal é querer defraudar o espírito democrático e constitucional vigente.
Um partido fora do "sistema" do poder local dominante, com cem ou duzentos candidatos autárquicos pode ser vítima de uma pressão ilegal e abusiva por força do poder de influência e de subjugação das elites enfeudadas ao jacobinismo e às ordens militaristas em total cumplicidade com as forças locais reinantes.
Não faltam exemplos de pressões abusivas das forças jacobinas e militaristas dominantes contra candidatos de forças partidárias fora do poder local. No limite, houve candidatos que se afastaram das respectivas candidaturas ou se sentiram incomodados por terem de participar nas campanhas autárquicas, porque alguns jacobinos exerceram pressão sobre eles para os desmobilizarem da sua cidadania activa.
Ao fim de 37 anos destas práticas jacobinas e criminosas, o modelo autárquico acabou desacreditado, às mãos de uma das mais terríveis oligarquias, como só houve memória no tempo dos franceses, com as tropas do general "maneta" a gerirem este espaço municipal completamente arruinado e miserável.
Recusou-se "criminosamente" dar meios de defesa a várias freguesias do Norte, para que lá se implantasse um Posto de Bombeiros nos meses de maior perigo de incêndios. Estupidamente, nem se valorizou um aspecto peculiar que passava por uma ignição no Norte acabar quase sempre numa séria e efectiva ameaça ao centro urbano da cidade. Nem isso os demoveu.
Uma sociedade civil e municipal assente nestes pressupostos elitistas e desumanos, não pode mais prosseguir num Estado de Direito.
Venha quem vier, estes pressupostos estão condenados pela ética política e pela sensibilidade social das populações respeitadoras dos Direitos Universais do Homem e dos Cidadãos.