O elogio tão marcante à ex-vereadora do PCP não parece ajustar-se aos requisitos de presidente de um Instituto na tutela de um ministro do CDS, para mais quando o visado aponta e reconhece que o cargo de presidente do IEFP passa por critérios de "confiança e lealdade política"...
ONDE PÁRA A COERÊNCIA...?!
E neste governo, bem se pode dizer que os "azares" são mais que muitos. Começámos com o "caso Bairrão". Ministro por horas...e deixou de o ser...
ONDE PÁRA A COERÊNCIA...?!
E neste governo, bem se pode dizer que os "azares" são mais que muitos. Começámos com o "caso Bairrão". Ministro por horas...e deixou de o ser...
ABARCA transcreve hoje uma longa entrevista com o título "Exigem-se medidas que estimulem as empresas a criar emprego".
Logo nas concordância há erro ao dizer :"As empresas a criar emprego" , quando o correcto seria "as empresas a CRIAREM emprego".
O perfil de Octávio Oliveira, à frente do IEFP - cargo que reconhece ser de confiança política - traz uma grave lacuna. Cursou Gestão e Organização de Empresas, mas nunca esteve numa empresa. Quando muito ensinou Contabilidade.
Esteve como docente no Instituto da Beira Interior e na Faculdade de Coimbra um ano e meio, como estagiário, e professor de Contabilidade, ao mesmo tempo que foi assessor do presidente da Câmara de Torres Novas.
Depois dirigiu vários Centros de Emprego. É um homem que andou sempre a fazer mais do mesmo, dentro da área da Formação e Emprego.
" Medidas que estimulem as empresas a criarem mais emprego", não parece nada coerente com quem sempre esteve no sector público, como docente e como funcionário de carreira. E a ensinar Contabilidade!!!
Pela sua idade, já não será um "boy" do PSD. Faço-lhe essa justiça. Pese o facto de há muito ter permanecido como vice-presidente da Distrital do PSD, de Santarém, muitas vezes - ou sempre - ao lado do actual ministro Miguel Relvas. Porém, se a sua idade o afasta de "boy", a sua proximidade sistemática a Relvas acaba por o denunciar como um "Old-boy"...
Mas antes de aderir ao PSD, verdade seja dita, teve outras inclinações políticas mais à esquerda, das políticas reformistas ou da social democracia.
Logo acudiu a jornalista Margarida Trincão, com a sua habilidade habitual, e lá conseguiu meter a "casca da banana" diante do dirigente do IEFP, ao focar a influência da professora Isabel Cavalheiro ( professora de História, ex-vereadora e ex-dirigente local do PCP).
Não critico o entrevistado por querer prestar uma saudação à sua antiga professora e a outras antigas professores e antigos professores, do Tramagal até Abrantes, desde a escola básica à escola secundária e quiçá à Faculdade ou Instituto onde se licenciou.
NADA DISSO!
Agora, ao dirigente supremo de um IEFP, que ainda por cima tem na tutela o ministro democrata cristão, do CDS, Dr. Mota Soares - não lembrava ao careca, que apenas destacasse aquela sua professora, militante comunista. Para mais quando reconhece que o cargo tem que respeitar requisitos de "confiança e LEALDADE política ".
E não satisfeito com a referência, ainda sublinhou com ênfase o seguinte:
« Considero que a professora Isabel Cavalheiro foi das pessoas que mais me marcou na vida, na altura na política, e marcou a minha forma de estar num conjunto de princípios e valores, uma perspectiva analítica e estrutural das situações, para tentar ver a floresta e não a árvore. Em 1979, com 19 anos, com base na rejeição das teses marxistas da teoria do valor, acabo por ter uma aproximação à social-democracia enquanto ideologia e ao PSD enquanto representante dessa ideologia.»
