...Aquele concelho, onde não havia túneis, mas se construíam obras faraónicas nas pontas da cidade, cada uma a seu canto e sem possibilidade alguma de virem a ser ligadas entre si por ruas, dada a natureza íngreme das encostas da cidade.
O Terminal Rodoviário, para que nenhum passageiro dos Expressos de Castelo Branco a Lisboa, da Sertã a Lisboa, alguma vez mais pusessem os olhos em cima do centro histórico, ou simplesmente pudessem saber onde ficava o Hospital e saber de qual dos irmãos engenheiros se tratava aquele largo Engº Bioucas.
O Parque de S. Lourenço, onde nada o ligava à saída do nó da A-23 e até conseguiu ficar bem escondido dessa auto-estrada, não fosse sofrer de "mau-olhado", e também nunca ninguém irá mais saber que a oito kms de S. Lourenço se avista a Albufeira do Castelo de Bode, em suas longas extensões de mais de 60 kms. Há uma estrada para Vilelas, antes de os visitantes chegarem a Abrantes e rumarem tranquilamente para Tomar, o que diz bem da ignorância preversa, dos aborígenes do Cabeço.
Depois um açude e calçadas de jardim a rodos, sempre à espreita de uma cheia do Tejo para cagar tudo. Uma obra sobre a qual, o autarca mais desajeitado de todos os que pisaram a Raimundo Soares haveria de jurar que foi a Divina Providência quem mandou em socorro do Aquapolis, a célebre Barragem do Almourol, que tudo submergia em redor do açude.
E fiquemos por aqui, com as observações da Srª Merkel sobre a Madeira:
«A chanceler alemã, Angela Merkel, deu hoje a Madeira como um mau exemplo da aplicação dos fundos estruturais europeus, sublinhando que naquela região autónoma estas verbas "serviram para construir túneis e autoestradas, mas não para aumentar a competitividade".
Na opinião de Merkel, os referidos fundos devem servir para apoiar financeiramente as pequenas e médias empresas, por exemplo, como ficou decidido no recente Conselho Europeu, em Bruxelas, e não mais para construir estradas, pontes e túneis, como sucedeu, na sua opinião, naquela região autónoma portuguesa.
"Quem já esteve na Madeira, deve ter ficado convencido que os fundos estruturais europeus foram bem aplicados na construção de muitos túneis e autoestradas, mas isso não conduziu a que haja mais competitividade", observou a chefe do governo alemão, numa palestra proferida perante alunos, na Bela Foundation, em Berlim, noticiada esta noite pela RTP.
A União Europeia aprovou a distribuição de cerca de 350 mil milhões de euros de fundos estruturais pelos estados membros no período entre 2007 e 2013, cabendo a Portugal cerca de 25 mil milhões de euros.
Uma proposta franco-alemã aprovada no Conselho Europeu, no início de fevereiro, prevê o reencaminhamento dos fundos estruturais que ainda não tenham sido orçamentados para criar mais emprego e crescimento económico, sem prejuízo, no entanto, da verba orçamentada para cada país. »
Já para não falar daquele PDM que impedia a construção nas freguesias rurais e não deixava espaço para instalar actividades económicas de pequenas empresas como a carpintaria, a pequena oficina ou a serralharia de alumínios no Carvalhal e que fez o freguês mais toda a sua família rumar até Sintra. Porque no Carvalhal, só tinha lugar a Igreja nova e o eucalipto, com direito a parque e jardim.
A Srª Merkel não conhece Abrantes. Mas se conhecesse já não acharia tão estranha a nossa tragédia. No Largo Raimundo Soares só existem centenas de burocratsa comandados por mestres-escola, que por preconceito e deformação profissional abominam as actividades económicas da pequena empresa, tolerando duas ou três grandes empresas, na medida em que são grandes e não só...