O Tramagal tem uma biblioteca na Escola Secundária Octávio Duarte Ferreira e outra na sede da Junta de Freguesia.
Com a junção da Escola da Penha e da Escola Nº 1 e da Escola do Crucifixo, num novo Centro Escolar, por sinal o único que não contestei pela sua validade, a Junta e a Acção Escolar decidiram "transferir" a biblioteca na sede da junta, para o novo Centro Escolar.
Mas o presidente da junta na entrevista conduzida pelo Mário Rui Fonseca ainda referiu que havendo apenas uma média de 1,8 leitores por dia e uma média de sete livros a serem utilizados pelos fregueses, fora da biblioteca, achou mais promissor que aquele espaço na junta passase só a integrar computadores e as leituras de revistas ou alguns livros a requisitar à Biblioteca Municipal António Botto.
Esta decisão estava correcta e enquadrava-se no espírito de racionalidade e de bom senso da autarquia. Qual não é o meu espanto quando um professor e bloguista do Tramagal, a leccionar fora do Tramagal ao que julgo saber, veio insinuar de que eu estava muito satisfeito com o "encerramento" da biblioteca e com o facto de só existirem 1,8 leitores diários, na actual biblioteca da junta. E depois veio a dizer que ele também fará tudo para que seja um sucesso essa nova biblioteca e irá dar todo o seu apoio para que isso dê certo.
Esta resposta é pura conversa da treta!
Primeiro "ataca-me" a despropósito. Fala em "encerramento" da biblioteca, quando não há "encerramento" mas apenas mudança de local - e para melhor - atendendo à proximidade dos alunos dessa escola e à facilidade de melhor acompanhamento dos professores às acções de incitamento e estímulo à leitura dos jovens. Depois aludiu
à tentativa de branqueamento (?!) das políticas centralistas da autarquia municipal.
Finalmente, veio dizer que de futuro também irá apoiar, blá,blá,blá...
Conversa da treta. Esse professor embora fora do Tramagal, nunca se quis informar sobre o movimento de leitores na biblioteca da junta. Parece-me algo elucidativo do desinteresse que no fim de contas sempre manteve com a cultura dos tramagalenses, pese andar sempre a falar em políticas culturais locais e níveis de formação e conhecimento.
Não é tolerável que um professor que se mantém interveniente no blog, - "Tramagal" - nunca tenha aferido da participação ou no índice de utilização dos livros da biblioteca, por parte dos fregueses. Convenhamos, que 1,8 leitores por dia como média é algo confrangedor e triste.
Logo, não parece credível que quem nunca procurou saber destas assiduidades à leitura, possa vir de futuro a "apoiar" a nova biblioteca. E estranha-se ainda mais, que diante desta triste e desapoiada trealidade, ainda se insurja contra a deslocalização da biblioteca para o novo Centro Escolar. Como é que um professor pode defender uma coisa dessas?!
Por estas e por outras, é que me custa a acreditar mais na bondade do dito poder local. Vistas as coisas com toda a crueza, o que dá a impressão é que temos no poder local uma expressão típica e bem denunciada por Ghoete, na tal situação " da ignorância em movimento"...
Os eleitores com a sua iliteracia não só, não elevam os níveis de desempenho dos autarcas, como ainda procuram com atoardas imberbes desmotivar e afundar esses baixos níveis para o fundo do poço.
Os resultados negativos que se recolhem um pouco por toda a parte, só nos induzem para essa triste realidade.
O país e os portugueses foram capturados por minorias incoerentes, tão analfabetas, quanto preconceituosas e erróneas.
Assim não vamos longe. A Grécia está aí como alerta...
NOTA: Em 1962, tinha 11 anos, ajudei o meu avô Martinho, então secretário da Casa do Povo do Souto a organizar o acervo de livros da dita biblioteca, que a Segurança Social e Corporações fizera chegar ao Souto. Salazar não proibia assim tanto a leitura, como se quer fazer crer...
Claro que não enviava biografias de Estaline, nem livros do Cunhal...
Eram para aí uns 30 a 40 livros, desde dicionários, a Gramáticas, História de Portugal do Prof. João Ameal, a História da I Republica, Fernão Lopes, Gil Vicente, Bernardim Ribeiro, Lírica de Camões e os "Lusíadas", Padre António Vieira, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Júlio Dinis, Almeida Garrett, Herculano, Latino Coelho e outros livros que iam desde os "Cinco" até Victor Hugo, Shakespear, etc...
Quando anos mais tarde cheguei à Direcção da Casa do Povo ( vice-presidente, em 1980) a primeira coisa que perguntei foi pelos livros da biblioteca. Ninguém já sabia dizer por onde andavam. Fiquei chocado. Como era possível já ninguém saber dos livros?!
Por isso, saber que a biblioteca ficará no novo cEntro Escolar era para mim e para já, um bom augúrio...
