"Verão quente" de 1975, ficou assim designado pela revolução gonçalvista...José Martinho Victória o único grande proprietário agrícola marca uma reunião para o 1º sábado de Setembro de 1975.
O assunto: ir buscar a água à barragem do Castelo de Bode.
As vozes populares comentam o tema.
No dia da reunião estão na sala da Sociedade Recreativa mais de 100 pessoas. A discussão fervilha como era costume naquela terra e muito mais pelas circunstâncias revolucionárias.
Alguém desdenha da proposta, porque sempre viu a água a correr para o rio, nunca o seu contrário. Como então convencer aquela gente de que era possível 25 anos depos de inaugurada a barragem ir lá buscar a água para irrigar uma centena de hectares ou mais?!
Propus que se elegessem os nomes de uma Comissão Instaladora para estudar o assunto. Eu acreditava que era possível. Intuição minha. Sempre me guiei pela intuição.
Apurada a votação, o nome mais votado é o de Manuel Pisco o grande construtor das obras da Igreja e Casa Paroquial. O segundo nome o meu, tinha 24 anos, solteiro e bom rapaz. Depois, Adelino Branco, Comissário Manuel Pimenta e José Martinho Victória.
No outro dia domingo fomos os cnco a Vila Nova na Serra de Tomar, ver como haviam feito em 1972 uma captação de rega.
Depois foi sempre a andar. Estatutos que eu fiz e debati numa reunião desde as 9 da manhã até às 18 horas, com 2 horas para almoço num sábado de Dezembro e em Maio de 1976 corria a água para este depósito que os cooperantes construíram à sua custa. Nada de dinheiros públicos ou municipais.
Da Câmara a ameaça que não licenciavam e eu a bater-me frenyte ao Engº Bioucas e Engº Serafim, de que com licença ou sem licença a água iria correr nas ruas do Souto.
O povo é quem mais ordena, gritei na CMA...
A 700 metros fica a barragem na cota 121 e este depósito ssenta na cota 270, 150 metros que se venceram em altura.
A água continua a subir... Dos 250 sócios não sei hoje se ainda restam metade.
Tudo definha e morre neste concelho. Até quando resistiremos?!
No outro dia os