O PDM tem que saber articular a vida da freguesia no seu dia a dia, nos afluxos de familiares soutenses durante os fins de semana, durante as férias periódicas ou durante as festas de verão, dominar a origem e o significado da inventariação dos prédios rústicos e da manutenção dos prédios urbanos.
Porque os prédios, só mantendo-se privados é que geram receitas às famílias e ao Estado. Os donos dos prédios também precisam de ter intervenção cívica, sem lhe exigirem ou valorizarem, apenas a posse de cartão de eleitor.
O que o PDM fez no Souto até hoje foi ostracizar os descendentes e familiares dos 570 eleitores, retirando-lhes muitas das ferramentas com que permitiam a aproximação das famílias.

Faltaram claramente, ferramentas de natureza cultural, onde fossem acarinhadas e enaltecidas as genuínas tradições locais, desde as tecedeiras, as fainas do campo, a etnografia, as profissões e actividades agrícolas, as valiosas e diversificadas técnicas profissionais dentro da área da construção civil, um património cultural genuíno e muito importante para a animação da vida, com o seu cunho de empenho nas vivências ditas tradicionais.
Essa política cultural foi abolida, desmontada e desaconselhada por outros interesses obscuros, de quem lançou e promoveu este PDM, onde não havia mais futuro garantido ou que valesse a pena preservar e respeitar.
.
As políticas autárquicas foram dando claros sinais de que o fim estava à vista. Os autarcas de freguesia acabaram manipulados e enfeudados às directivas municipais e a conivência e a prosmicuidade partidárias fizeram o resto. E não só por parte do PS.
Estas conclusões do Encontro PSD sobre o PDM tiveram o presidente de Junta do Souto, entre os oradores, e ao que parece, acabou apoiante desta miserável opcção, onde está bem patente o desprezo da "nomenclatura" directiva do PSD, à vivência paradigmática dessa única freguesia, onde o PSD venceu as eleições para a Junta e para a Câmara.
.
Em lado algum o PDM procurou - e nestas conclusões do PSD, essa omissão é aflitiva - ir ao encontro das pessoas das freguesias e buscar em cada terra as potencialidades genuínas, capazes de alavancarem novas dinâmicas e ressuscitarem outras tradições que sempre acabam tocando bem fundo no coração das pessoas.
Os encontros entre fregueses e autarcas municipais desapareceram da prática municipal ancestral, da tradição romano ou visigótica, dos chamados "homens bons do concelho", como o relatou e enalteceu, Alexandre Herculano. Foram postos de lado.
As juntas de freguesia instrumentalizadas pelo poder municipal sempre pugnaram por logo na terra colocarem os maiores entraves à participação de outros naturais da terra, que não fossem residentes e eleitores inscritos.
Confundiram e restringiram, deliberada e acintosamente, os conceitos de cidadania entre fregueses, aceitando apenas dar ouvidos aos que tinham o cartão de eleitor da freguesia.
Esse divórcio foi deliberado e muito prejudicial à animação cultural e ao fortalecimento da dinâmica cívica nas freguesias.
O PDM fingindo ser um amigo do ambiente, acabou sendo o factor de maiores desequilíbrios ecológicos, de maior factor de desertificação e de delapidação dos valores culturais das terras, onde colocaram um perímetro aedificandi, como se os seres humanos se pudessem limitar às cercas de gado, impostas e desenhadas pelos burocratas.
Não fossem as actividades religiosas que a Igreja Católica ainda soube e conseguiu manter e reviver entre as pessoas, e nada mais restaria com peso na aproximação das gentes da terra.
A cidadania resume-se à possibilidade em terem padeiro e correio à porta, água e luz em casa, uma única loja com café e mercearia, e um posto médico para acalmar os padecimentos das doenças e da velhice.
A história, a cultura, os valores tradicionais, as expectativas de melhor qualidade de vida, isso são questões que o PDM não aborda, nem vê necessidade em avaliar.
AS conclusões do PSD ao reduzir os perímetros, como se promovesse exactamente o definhamento das terras, mostrou toda a sua incompetência para enfrentar o problema mais candente na vida municipal.