«A genialidade de Eça de Queiroz e de Fernando Pessoa, no primeiro caso antes da revolução e no segundo já no início da rebaldaria da primeira república, fizeram o retrato exacto daquilo que os portugueses podiam esperar dos republicanos e da república. Vale sempre a pena recordar.
Advertia Eça de Queiroz:
"O Partido Republicano em Portugal nunca apresentou um programa, nem verdadeiramente tem um programa. Mais ainda, nem o pode ter: porque todas as reformas que, como Partido Republicano, lhe cumpriria reclamar já foram realizadas pelo liberalismo monárquico. (...) A república não pode deixar de inquietar o espírito de todos os patriotas."
Lamentava Fernando Pessoa:
"E o regimen está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados mentais, nos serve de bandeira nacional - trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português - o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito natural, devem alimentar-se."» in blog 31 da Armada, posted by João Ferreira do Amaral