Imaginem que Abrantes até podia ter forma de poder prosseguir com a contratação desses 26 técnicos cujos concursos estão em cima da mesa. Abrantes podia ser nesse caso, um mau exemplo da incoerência da proposta governativa, no preciso momento, em que o governo anunciou a extinção de um terço das 4.260 freguesias de todo o país.
Quer isto dizer, que o processo da redução do nº de "autarquias e freguesias" - para usar essa dúbia expressão contida no memorando da troika - pode estar muito longe de ser resolvida com equidade.
Um concelho com 19 freguesias, como é o caso de Abrantes, se reduzisse em um terço, o nº das suas freguesias ao mesmo tempo que viesse a admitir 26 novos funcionários, seria o exemplo da incoerência da proposta governativa. Porém, tal iniquidade poderá surgir. Há cerca de 60 concelhos onde segundo as novas regras, o rácio de nº de funcionários municipais por número de habitantes, pode dar lugar a mais contratações.
A questão autárquica não parece de fácil resolução. E está muito longe de poder impôr-se como bom modelo de gestão e de bom exemplo de equidade nos gastos.
Talvez agora, já haja por aí quem queira admitir que o Poder Local tal como o temos conhecido, está bem longe de ser essa ferramenta de proximidade e de alavancagem das terras mais desprotegidas pelo poder central.
Ao invés, o poder municipal existente, não tem feito mais nem melhor, do que o trabalho arbitrário de uns 308 "Terreiros do Paço" espalhados por esse país fora. Com a desvantagem de ninguém poder ter muito controlo sobre os decisores municipais, na sua maioria gente mal preparada para tomar decisões equilibradas.