A mesma filosofia do ordenamento urbano ( com filósofos de sebenta encardida) que levou a proibir a construção de casas onde já faltavam habitantes veio a revelar-se noutros campos, como na deslocalização do Terminal Rodoviário do centro histórico para o Cu de Judas ou mais grave ainda, na implantação de vários supermercados na periferia da cidade.
Essa gentalha fez o mal e a caramunha!
Habituaram os abrantinos a não precisarem mais de irem ao comércio do centro histórico. Tiraram de lá o Terminal de Camionagem. O que é que esperavam, que acontecesse de bom ao comércio?
Como é que tantos puderam enfiar esse barrete?
Como é que tantos puderam enfiar esse barrete?
Criaram o hábito nos abrantinos de irem às sextas-feiras à noite e aos fins de semana às compras aos hipermercados. Só que enquanto milhares de pessoas passeavam pelo Modelo, pelo Pingo Doce, pelo Intermarché e pelo LIDL entrando com os carros particulares até às portarias dos respectivos centros comerciais, os comerciantes do centro histórico ludibriados por meia dúzia de "vendidos" ainda acreditavam que iria haver solução para o suícidio colectivo qure haviam consentido.
O Mercado Diário na Fontinha e a Encosta de S. Domingos com o Terminal Rodoviário no local de onde nunca devia ter saído, podiam hoje constituir a "garantia vitalícia" da animação do centro histórico.
Bastava para tanto, que os tacanhos que decidiram erradamente, optassem pela única situação plausível e sustentável: darem ouvidos aos mercados, como hoje se diz...
Aqueles dois locais podiam desde logo constituírem-se nos centros comerciais da Sonae e do Jerónimo Martins. Nunca mais faltavam visitantes no centro histórico.
Não decidir nesse sentido, só faz arrastar e demorar essa solução, que quer se queira quer não podia e devia ter sido considerada em tempo oportuno. Infelizmente, não houve pessoas à altura dessas decisões. Do facto resulta, que nunca mais se consegue encontrar outra saída. Ninguém vai às compras à periferia, para regressar a correr a casa, também na periferia, e depois voltar a fazer o mesmo caminho direito ao centro histórico. O tempo e o dinheiro não dão para essa duplicação.
Os portugueses não são os perdulários que Cavaco Silva acusou. Os portugueses não têm ordenado e duas reformas em simultâneo, fora a penão da sua Maria. Os portugueses ( aqueles que têm emprego) ganham em média, menos de 700 euros. Nunca poderiam dar-se a esses luxos...! Esse é outro logro.