Pacheco Pereira, no Abrupto:
«As pessoas estão a ficar prosélitas, e o proselitismo mais os interesses magoados, dão sempre para o torto. E há muita gente a sentir-se alvo e sentir-se alvo quebra todas as ligações com uma sociedade mais vasta, para constituir comunidades de revolta. Um caso típico no passado foram os professores e o resultado está à vista em escolas em que ninguém tem mão a não ser pelo despedimento e em que os governantes se vêem obrigados a recuar para ficções que não significam nada, como é o actual modelo de avaliação. A deliberada quebra de empatia, na verdade antipatia, com o estado e o sector público, que vai para além das necessidades de corte nas despesas mas têm um claro conteúdo ideológico, levou o Primeiro-ministro e o Ministro das Finanças a não só não terem uma palavra para as centenas de milhares de funcionários públicos cujos rendimentos são baixos e tão baixos como o sector privado, como para os colocarem como alvo ao apontarem-nos como privilegiados com emprego garantido. Ora se há coisa que os funcionários sabem demasiado bem, ouvindo os mesmos governantes que hoje lhe apontam esse privilégio, é que têm o emprego quase tão precário como no sector privado. »
Há uns anos atrás, eram os construtores civis apontados como os grandes especuladores imobiliários. Enquanto o tema foi dominado pelos media não houve português algum que não tenha especulado ao exigir um preço pelo seu andar em segunda mão muito acima do preço que o havia cxomprado anos antes ao dito construtor especulador, que ainda assim teve que pagar o terreno, esperar anos pelo projecto aprovado e pagar os custos da construção , os impostos ferozes no sector e ainda, os juros bancários bastante penalizadores.
Hoje, os bancos é que dominam o sector imobiliário. São os bancos que vendem abaixo dos custos - em "dunping" tolerado pelo governo - porque estão a receber nos braços os prédios acabados de construir, entregues pelos construtores arruinados. E como as hipotecas em incumprimento, não ultrapassavam os 50 % do valor real dos imóveis, aos bancos bastou-lhes recebê-los por pouco mais de metade do preço e desse modo praticarem o seu "novo" negócio sem concorrência à vista.
Acredito que só estejam a vender o "lixo" imobiliário guardando para melhores dias tudo o que constitui imobiliário de luxo, em zonas nobres.
Um dia destes a especulação irá conhecer novos indicadores. E entretanto, tudo foi tão difícil, que tudo se perdeu...