A autarca [ de Vila Franca] considera que a gestão deve ser livre. “Somos nós que dizemos como é que o dinheiro se gasta. Trata-se de uma ingerência naquilo que é a autonomia do poder local”.
Esta afirmação não abona nada a favor da bondade autárquica, quando é por demais evidente a prepotência e o pedantismo de quem a profere ao arrepio dos valores mais sagrados da democracia e do poder local.
Quando muito, estes dislates só desacreditam ainda mais, os desvarios de 60 milhões no Programa Valtejo (de que o Aquapolis de Abrantes colheu à sua parte 20 milhões e tantos outros esbanjamentos...), e esses milhões que somaram biliões em 35 anos de "Ditadura dos presidentes de câmara", que a actual revisão do Poder Local ainda parece favorecer, ao valorizar o cesarismo-bonapartista da figura do presidente de câmara, introduzido agora, como o 1º candidato das listas às Assembleias Municipais...!!!
Aliás, um dia a história dirá, quantas verbas despesistas foram "impostas" pelos presidentes de câmara diante do silêncio complacente ou "negociado" com os parceiros da vereação e da assembleia municipal e quanta "chantagem" foi feita sobre os presidentes de junta, antes das votações dos orçamentos. Quanto mais não fosse, pelo sobrolho carregado do presidente de câmara, de olhos nos olhos com os autarcas de junta.
Situações já denunciadas por muita gente ( Paulo Morais foi um deles) dão conta de muito clientelismo, entre os prosélitos deste cesarismo-bonapartista dos presidentes de câmara.
Não deixa de ser caricata a extremosa compaixão do autarca de Torres Novas, diante da perda de 10 dos seus 17 presidentes de junta. É que cada um desses presidentes de junta - e melhor do que ninguém mais lá na terra! - garantia-lhe à partida uma assinalável "maioria" entre os votantes, que ainda se dão ao trabalho de ir votar...
ACRESCE a esta ASSOMBROSA e PATÉTICA CONCLUSÃO, do autarca da camara de Torres Novas: “é na pessoa do presidente de junta que as pessoas ainda se revêem para resolver problemas” de toda a ordem.»
O autarca apenas concorda com o fim das freguesias urbanas, onde reconhece existir “duplicidade”.
Afinal, está bem à vista o que pretende o presidente da Câmara de Torres Novas. Pretende presidentes para lhe resolverem os problemas das freguesias longe da sede do concelho. Porque nas freguesias urbanas, segundo a sua lógica, ou já não há problemas para resolver ou então os presidentes de junta já não se prestavam a resolvê-los!!!
ESPANTOSO!!!
Enquanto estas mentalidades existirem, - e vingarem com impacto negativo sobre a desmobilizada cidadania, por força das ditaduras camarárias - os portugueses não podem mais ter a leve esperança, de verem a crise deste país ser irradiada de vez.