« Entre 9 de Outubro de 1810 e 7 de Março de 1811 muita gente das aldeias do norte do concelho se refugiam na vila(...) e muitos abrantinos abandonaram a vila, indo acolher-se às Linhas de Lisboa»
«Citemos o caso da Academia Tubuciana e do seu membro mais entusiasta, o afrancesado Diogo Soares de Bivar, que Junot nomeou novo juiz de fora, e que mesmo numa fase já de insatisfação geral prestava à regência esta informação: «Tout est tranquille à Abrantes. Rien n’annonce le moindre mouvement, ni même d’inquiétude. Les habitants s’apprêtent à loger un corps d’Infanterie française que l’on y attend» (carta de 28.6.1808).»
Entretanto no Souto e na Aldeia de Mato sofria-se a bom sofrer...
«- Souto
Não obstante os assentos paroquiais desta freguesia nada revelarem de anormal, a avaliar pelo que nos chegou via paróquia de S. Vicente e também pelas queixas dos moradores aos responsáveis do reino, parece indubitável ter sido o Souto uma das áreas mais afectadas. Logo na entrada de Junot por S. Domingos, nos finais de Novembro de 1807, foi devassada a velha ermida do lugar e queimadas as imagens que aí havia. Relativamente à igreja matriz, testemunhava em 27.5.1815 o P.e José dos Santos Baptista, morador no Souto, perante o corregedor da comarca: «...pelo ver, ser público e bem notório, [afirmo] que a igreja matriz, pela invasão última do exército francês [finais de Abril de 1811], ficou inteiramente arruinada e destruída, assim como as imagens dos seus santos queimadas e despedaçadas». De resto, a taxa de mortalidade cresceu muito: 31 óbitos em 1807, 56 em 1808, 87 em 1809 e, de 1810... 31 só até 26 de Agosto [Falta o livro do assentos de defuntos seguinte, de Setembro 1810 a 1820, que seria o principal como fonte informativa e aquele que discriminaria as vítimas]. » in Biblioteca António Botto