Nem a propósito!
Indo ao encontro do que já havia escrito, por várias vezes neste blog, criticando o logro do Poder Local, eis que Paulo Morais também expressou duras críticas às redes de águas pluviais e aos inconvenientes das cheias, para além do mau desempenho do urbanismo municipal e das redes de infra-estruturas urbanas, tornando a vivência dos municípes refém das estratégias dos shoppings...
Acrescentarei: há uma nova cidade para recriar!
Mas vamos ao texto que subscrevo inteiramente:
Indo ao encontro do que já havia escrito, por várias vezes neste blog, criticando o logro do Poder Local, eis que Paulo Morais também expressou duras críticas às redes de águas pluviais e aos inconvenientes das cheias, para além do mau desempenho do urbanismo municipal e das redes de infra-estruturas urbanas, tornando a vivência dos municípes refém das estratégias dos shoppings...
Acrescentarei: há uma nova cidade para recriar!
Mas vamos ao texto que subscrevo inteiramente:
«Centrifugar
Anos seguidos de políticas urbanas erradas expulsaram os portugueses do centro das cidades. Era inevitável. As ruas e os passeios estão em péssimo estado, fruto duma crónica ausência de manutenção e conservação. Os pavimentos são irregulares e cheios de buracos. A via pública está imunda, resultado duma limpeza urbana ineficaz.
As infra-estruturas das cidades estão num estado de total degradação, quase em ruptura.
De cada vez que chove um pouco mais, rompem condutas de saneamento e inundam-se as vias. Isto porque a prioridade das políticas, na generalidade das câmaras portuguesas, não passa pelo espaço público.
Não há planos integrados que prevejam a reconstrução de cada rua ao fim de trinta anos ou a substituição total do pavimento em cada oito anos, tal como previsto em qualquer manual de boas práticas.
Também não se contempla a limpeza periódica das condutas de águas pluviais nem as mais elementares intervenções de manutenção.
Faltam espaços de encontro, convívio e lazer, os jardins de proximidade desapareceram, parques infantis, nem vê-los! Acresce a este cenário, já de si deprimente, uma insegurança perturbadora. Somos permanentemente abordados por arrumadores e pedintes, os assaltos aos automóveis são a regra. É claro que as pessoas têm tendência a fugir deste desconforto.
Rei morto, rei posto. Sobre as cinzas das baixas abandonadas, brotaram os centros comerciais. Têm um acesso fácil e o estacionamento é por norma gratuito.
No seu interior, há limpeza, circula-se com segurança e conforto. Há acessos para pessoas com mobilidade reduzida e carrinhos de bebé.
Os pequenos problemas que as famílias enfrentam, como a necessidade dum fraldário ou duma casa de banho para crianças, estão acautelados.
Estes novos centros cívicos proporcionam-nos ainda a possibilidade de jantar tranquilamente, assistir a um filme de estreia ou encontrar amigos.
Sem estratégia, o poder local democrático votou o espaço público a um completo abandono.
Falhou redondamente e deixou os cidadãos à mercê das estratégias comerciais dos shoppings.»
in Correio da Manhã de 15 de Novembro de 2011, Paulo Morais professor universitário e ex-vvice-presidentre da Câmara Municipal do Porto no 1º mandato de Rui Rio.
