Não tenho nada de pessoal contra a vereadora Elsa Cardoso, e até se dá o caso, de já a ter apoiado por diversas vezes. Todavia, não posso consentir que misture e deturpe vários factos, através do débito de diversos preconceitos, que por muito que a vereadora acredite neles, os mesmos não passam de opiniões fora de contexto, com tudo o que há de mais errado e demagógico.
Atente-se no que escreveu:
- «Abrantes foi uma cidade que cresceu e se desenvolveu no cimo do cabeço à volta do seu castelo.
Nos anos 60 e 70, aquilo que a senhora presidente hoje chama centro histórico era o centro nevrálgico da cidade de Abrantes, populoso, prenhe de serviços (escolas, hospital, serviços públicos, etc) e com um comércio pujante e atractivo, onde afluíam em massa as populações dos concelhos vizinhos para fazer compras e tratar de negócios.»
Só nestes dois parágrafos, a professora cometeu uma infinidade de erros de análise. Facto imperdoável, com a agravante de ser dito por uma professora que ensinou as novas gerações abrantinas.
Nos anos 60 e 70, poucos chegavam ao dito "centro nevrálgico da cidade" a conduzirem as suas próprias viaturas e muito menos, o marido num carro, a mulher noutro, ou ainda dar-se o caso, hoje tão corrente, de vermos também o filho e a filha de um qualquer casal, cada um agarrados aos seus bólides.
Primeiro resumo: estamos a misturar análises de realidades passadas e presentes, que não podem ser comparadas com esta ligeireza de argumentos.
Primeiro resumo: estamos a misturar análises de realidades passadas e presentes, que não podem ser comparadas com esta ligeireza de argumentos.
Prosseguindo no texto da vereadora do PSD:
«Com a chegada dos socialistas à Câmara, chegou o lucro fácil com as operações urbanísticas e a especulação imobiliária.
E à medida que uns enriqueciam de um dia para o outro, a cidade de Abrantes esvaziava-se para zonas distantes do centro da cidade, aumentando exponencialmente os custos das infra-estruturas e assassinando literalmente o coração da cidade.
A cidade de Abrantes onde eu nasci, cresci e, praticamente, sempre vivi, é hoje uma cidade sem vida, habitada por meia-dúzia de idosos, com grande parte dos prédios em ruínas e com um comércio moribundo que apenas se mantém aberto por teimosia e casmurrice dos seus proprietários, uma vez que todos eles estão cientes de que as populações que os socialistas atiraram pela encosta abaixo nunca mais aqui regressarão.»
A "chegada dos socialistas à Câmara" ocorreu em metade das câmaras do país, tendo a outra metade ficado refém dos mesmos vícios dos sociais-democratas. Hoje, até a cidade de Viriato, no "cavaquistão" do viseense Fernando Ruas se queixa do mesmos problemas.
Aponta ainda para um enorme erro, fruto do desconhecimento imperdoável numa vereadora, ao querer atribuir às novas urbanizações à volta da cidade um "aumento exponencial dos custos das novas infra-estruturas", provando desconhecer que as ditas, sempre foram suportadas por conta dos urbanizadores e que além das ruas e passeios, ainda suportavam os custos na totalidade das redes de águas, esgotos e águas pluviais, mais a rede eléctrica quase sempre subterrânea e também as redes de telefones, e mais recentemente as redes do gás.
Ao invés, nos centros históricos, raramente se procedeu à renovação dessas infra-estruturas, pelo menos de forma bem dimensionada e capaz de servir condignamente as necessidades dos seus moradores.
Quando muito, o pouco se ainda se fez em matéria de renovação nos cascos históricos resultou dos excedentes cobrados pelas autarquias nas novas urbanizações. Atente-se, que se não fossem os IMT e os IMI das novas urbanizações, nenhuma autarquia teria sobrevivido.
Segundo resumo: a vereadora ignorou deliberadamente, que o PS e o PSD nesta matéria comungam dos mesmos pecados.
Segundo resumo: a vereadora ignorou deliberadamente, que o PS e o PSD nesta matéria comungam dos mesmos pecados.
Continuando com a citação do texto da vereadora do PSD:
«O PDM de Abrantes foi um verdadeiro atentado contra a cidade e o concelho, com consequências irreparáveis, na medida em que provocou e promoveu o esvaziamento da cidade e das freguesias para zonas fora da área de crescimento normal da cidade e que apenas favoreceram os interesses dos especuladores, lesando, desta forma e irremediavelmente, os superiores interesses colectivos.»
O PDM de Abrantes sempre foi apoiado pelo PSD, que esteve na sua origem. O primeiro a insurgir-se contra o PDM de Abrantes fui eu, como candidato às eleições à Câmara, pelo PSD em 2001, o que me valeu ser muito ridicularizado pelos capitalistas locais, que "tomaram conta" do PSD, muito especialmente em 2005, e também em certa medida em 2009.
Ainda hoje, o PSD critica "o esvaziamento da cidade", sem contudo ter explicado o que faria de diferente. Porque ainda ninguém fora das candidaturas do CDS de 2005 e 2009 soube apontar o erro de não se crescer com a cidade em harmoniosa inter-ligação circundante, logo à roda do "Cabeço". Vazios isolados e intransponíveis, como sucede no Vale dos Quinchosos, na Ferraria, no Vale da Fontinha ou na Encosta Sul, logo abaixo do Convento de S. Domingos são erros crassos de ausência de bom ordenamento e de boas políticas de acesso. Era por ali que a cidade devia crescer e criar os estacionamentos, que inclusivé, os donos das grandes cadeias de hipermercados teriam construído de borla, para utilidade pública se fixassem os hipermercados mais aconchegados e harmonizados à proximidade e à continuidade do casco histórico.
E quanto a PDM nem é bom falarmos. O crescimento da cidade quis fazer-se à custa do esvaziamento das terras vizinhas. Mais tarde ou mais cedo iríamos deparar com a cidade cercada pelo "deserto" que os amigos deste PDM alimentaram.
E quanto a PDM nem é bom falarmos. O crescimento da cidade quis fazer-se à custa do esvaziamento das terras vizinhas. Mais tarde ou mais cedo iríamos deparar com a cidade cercada pelo "deserto" que os amigos deste PDM alimentaram.
Sabe-se como os pequenos e médios comerciantes tiveram culpas no cartório, não só com este PDM, como ao afastamento das grandes superfícies, para longe das envolventes aos centros históricos. Agora aí têm sarna para se coçarem...
Mas a maior contradição da vereadora do PSD culminou nesta tirada:
«Com efeito, piscinas, estádios, rotundas, centros escolares, zonas ribeirinhas, zonas históricas fechadas ao trânsito, etc. não é mais nem menos do que o modelo de desenvolvimento "copy past" de todos os municípios portugueses nas últimas décadas. Grande avaria! »
Como se os veredores PSD e a metade das câmaras do país afectas ao PSD não tivessem também apoiado esse modelo de desenvolvimento "copy past"...que como a vereadora PSD sublinhou, cabe por inteiro a "todos os municípios portugueses nas últimas décadas.
POR sinal, mais de metade foram câmaras do PSD...!!!
FINALMENTE, rematou a vereadora do PSD dirigindo-se à presidente da CMA:
«Por que não pergunta também a senhora presidente às pessoas de Abrantes, do Rossio e do Tramagal, se também gostam de ficar sem o subsídio de Natal e de férias por causa da forma com os nossos governantes e autarcas andaram a esbanjar os recursos que não tínhamos em obras que não éramos capazes de sustentar?
E já agora por que não perguntar-lhes também o que preferiam perder: o subsídio de férias e de Natal ou o Aquapólis?»
E com esta pergunta, o Prof. Jana ficou arrumado de vez. Tem ali na vereadora Elsa Cardoso uma grande adversária à sua altura...
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