A Fonte Santa da Senhora do Tôjo
A Fonte Santa foi restaurada há meia dúzia de anos. Foram intervenientes nesta restauração a Confraria da Igreja, já no tempo do Padre Pedro Tropa e onde teve particular empenho o empreiteiro Serafim Pedro da Atalaia e o Engº Técnico Paulo Pedro, do Souto ( cabeça de lista à Junta do Souto pelo PS, derrotado em 2005 e o nº 7 da lista à Câmara pelo PS, onde a nº 6 era a actual presidente, Maria do Céu).
No Aquilégio Medicinal do Dr. Mirandela eram referenciadas as suas Note-se que o Marquês de Abrantes vem associado à edição do livro, deste médico. Como estávamos numa época anterior às invasões francesas se poderá avaliar quanto a nobreza desse tempo olhava bem melhor para o Souto e para o Norte de Abrantes.
Francisco da Fonseca Henriques (Dr. Mirandela)
Nasceu em Mirandela, em 6.10.1665 e faleceu em Lisboa, em 17.4.1731. Formou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra e foi médico de el rei D. João V Foi autor de vários tratados científicos que o Abade de Baçal menciona no Tomo VII das suas Memórias, p.p. 239/241. Enalteceu-o também Francisco da Fonseca Henriques, médico de D. João V falando das águas de caldas, fontes, rios, poços, lagoas e cisternas do reino de Portugal dignos de particular memória em 1726: "o barro he de tal natureza que do muy fino, não só se fazem púcaros e quartos de boa forma, mas também figuras e brincos que servem de adorno e compostura de casas, no que se tem aprovado muyto o primor dos Artifícios, com utilidade sua".
Segundo Alfredo Menéres, o Dr. Mirandela era filho de Gabriel Pereira e de Gracia Mendes. O seu pai era natural de Bragança e viera para Alvites, a 10 kms a norte de Carvalhais, dedicar-se ao cultivo das terras. Ali se ligou a Gracia Mendes, dama da mesma seita e possuidora de avultados cabedais. Com este farto pecúlio estabelecera residência efectiva em Carvalhais, nas 1ªs décadas do século XVII, adquirindo largos tratos de terras, tornando-se, em breve, importante lavrador regional.
Era irmão de António Pereira da Fonseca Henriques, bacharel em Direito, e de Manuel Pereira da Fonseca Henriques, licenciado.
Fonseca Henriques obteve aos 23 anos incompletos (6 de Outubro de 1665 a 5 de Junho de 1688) a licenciatura em Medicina, sendo seus leccionadores Manoel Castanho e Sebastião da Costa. No dia 5 de Junho de 1688 houve o cerimonial do seu doutoramento, tendo recebido do Dr. António Mendes, lente da cadeira de prima, o diploma.
Começou a exercer em Chaves, onde também exercia esse mister o Dr. José Borges Pinto. Terminado o tirocínio, regressa a Carvalhais e estabelece consultório em Mirandela em 1695.
Na altura o seu tio Fonseca Henriques era o feitor dos Távoras, o seu irmão António Juiz-ouvidor ou corregedor em Mirandela e o seu irmão Manoel vinha exercendo a procuradoria dos ilustres fidalgos desde 1689. Como tal, não foi difícil estabelecer-se em Lisboa. Os Távoras foram incansáveis em recomendá-lo às famílias mais requintadas na hierarquia social.
Em breve subia ao trono D. João V (1706) e o Dr. Mirandela era nomeado seu médico. Passava a ser o grande clínico e a sua reputação generalizou-se. Foi seu rival e contemporâneo o Médico João Curvo Semedo.
Deu depois entrada na Real Academia de Ciências.
O boticário d´el rei, João Gomes da Silveira, gozava da preferência do Dr. Mirandela no aviamento das suas receitas.
Entre uma obra vasta, escreveu sobre as águas da Fonte de Golfeiras, povoação fronteiriça à altaneira vila de Mirandela.
Faleceu no dia 17 de Abril de 1731, num sábado, de lesão cardíaca.
Carvalhais, prestando a verdadeira homenagem de saudade ao seu notabilíssimo filho, vem de afixar, no modesto casebre onde ele nasceu, uma singela lápide com esta inscrição:
Dr. Francisco da Fonseca Henriques
(O Mirandella)
Nasceu nesta casa a 6 de Outubro de 1665
Médico por Coimbra em 1684
Teve fama de “Grande Médico”
Foi médico do Rei D. João V
Falleceu em Lisboa a 17 de Abril de 1731
NOTA: Nas colunas do "Jornal de Abrantes" quando Director o Dr. Jorge Moura Neves Fernandes aconteceu ter denunciado o estado lastimável desta fonte. Como os artigos eram enviados com uma antecedência de 15 a 20 dias, aconteceu que quando surgiu a publicação na 6ª feira, já as obras se tinham iniciado na 2ª feira anterior. Foi um lapso involuntário da minha parte. Só mais tarde terei dado conta do facto. Lamentavelmente, o Engº Paulo Pedro ao ver-se derrotado nas eleições para presidente da Junta, já não quis ocupar o cargo na Assembleia de Freguesia. Já depois das obras escrevi no jornal que o Souto terá perdido mais um jovem empenhado na valorização da terra.
