Dizem alguns, que ter razão antes do tempo pode ser politicamente ruinoso. Pelo menos, os "não virtuosos" da política conseguem minar e distorcer os factos, o que não abona mesmo nada à acção dos virtuosos e actores intervenientes na necessária cidadania assumida com carácter e seriedade.
O chama-lho filha, antes que to chamem a ti, ao que parece continua a ser muito usado, e a render...
Desde 2001, por gosto e por um acaso, comecei a fazer alguns comentários nos jornais locais, regionais e nas cartas ao Director do "Expresso" e do "DN".
Chegava a uma idade madura, em que com os filhos criados, um homem tende a preocupar-se com as questões da comunidade.
É verdade que eu já trazia mais de 30 anos de desempenhos em cargos directivos em diferentes associações, numa actividade de clara cidadania, desde 1968/69, quando nessa época, um jovem com 16 ou 17 anos ainda não tinha uma juventude partidária à porta da escola, pronta a inscrevê-lo como militante.
Portanto, a minha dedicação e o meu empenho associativo, sendo político, porque visava melhorar e transformar as condições do meu meio envolvente, não podiam ser mais genuínas e libertárias, uma vez que não havia a "canga" da obediência ideológica ou do sectarismo jacobino de facção ou grupo.
MAIS: a facilidade com que diversifico as abordagens e as opiniões aos diferentes temas da vida local têm a sua razão de ser, pela experiência desses anos e por ter a visão e a capacidade criativa em abordar as questões locais e debruçar-me sobre elas com intuição, interesse e gosto, coisas que não são de estranhar num cidadão amigo da sua terra, que já exerceu funções associativas, políticas e autárquicas ao nível de freguesia e de vereação municipal.
Acontece, que eu fui vereador, quando tinha uma experiência numa matéria muito transversal a quase toda a actividade municipal - no caso, o urbanismo, a construção, as obras e a funcionalidade administrativa e técnica em diferentes câmaras municipais com que contactei durante dezenas de anos, antes de ter chegado a vereador, aos 51 anos.
Porém, uma circunstância se fazia notar em especial, a saber: fui vereador ao lado de seis autarcas municipais de três forças partidárias diferentes, mas que tinham a mesma formação profissional básica: eram os seis professores!
Logo, aquilo que podia ser uma mais-valia da minha parte, ao trazer para o debate na vereação, outra forma de ver as coisas, não resultou. Não queriam que resultasse, evidentemente. Mesmo de entre aqueles que deviam ter estado ao meu lado e nem sempre o fizeram. Algumas vezes recolhi a unanimidade adversa, porque os meus colegas de vereação ou não estavam a querer ver as coisas ou tinham outras razões de índole partidária, que fizeram sobrepôr à razoabilidade das minhas propostas, sem que nunca se tivessem dado ao trabalho de justificarem, o que ganhou o concelho, com essas recusas sistemáticas às minhas propostas.
Aliás, ninguém lhes pediu responsabilidades pelos seus actos. Um aspecto peculiar, que como se vê, marca negativamente todo o desejado virtuosismo da vida local.
Aliás, ninguém lhes pediu responsabilidades pelos seus actos. Um aspecto peculiar, que como se vê, marca negativamente todo o desejado virtuosismo da vida local.
Se imaginarmos que nos 308 municípios do resto do país, se têm passado situações algo semelhantes ao ocorrido, bem podemos temer que a insustentabilidade da Grécia bem pode ter seguimento com Portugal.
Podem reduzir 1500 freguesias, mas não vejo como se poderá aumentar o acervo de melhores decisões e melhores desempenhos para dotar as terras de outra eficácia nos licenciamentos municipais e no desenvolvimento económico em geral.
Bem podem falar em empreendedorismo, em inovação, mas se nada for alterado dentro da orgânica fechada dos núcleos decisores da nossa administração local, não restam dúvidas: será de temer o pior.
Digam o que disserem, não vejo forma de na próxima revisão da Lei Eleitoral autárquica - ainda que a troika esteja a exigir mudanças nessa lei - se melhorarem os desempenhos autárquicos.
TUDO COMO DANTES...!
Digam o que disserem, não vejo forma de na próxima revisão da Lei Eleitoral autárquica - ainda que a troika esteja a exigir mudanças nessa lei - se melhorarem os desempenhos autárquicos.
TUDO COMO DANTES...!