O Sr. Cónego era apontado por muitos observadores como hipotése plausível, com vista a uma candidatura à Câmara de Abrantes.
O processo de investigação, que culminou no aparatoso julgamento na praça pública, após toda a devassa do segredo de justiça, criou o "antídoto" nada inocente, contra essa possibilidade, que convirá a terceiros.
Eu estou à vontade porque critiquei o Sr. Cónego pelo seu texto inserido no site da candidatura da actual presidente. Duvido que o Cónego pudesse voltar a escrever um texto desta natureza, no epílogo do próximo acto eleitoral. Provavelmente, os desacertos ocorridos entretanto, quanto aos projectos de obras assistenciais da Igreja local , que não obtiveram os despachos mais colaborantes por parte da autarquia municipal, poderiam pesar quanto à repetição desse texto de felicitações, pelo menos, com a profundidade e cunho de benignidade revelado na missiva pós eleitoral de 2009. A interposição colaborante da autarquia municipal do Sardoal, num processo que cabia ao município de Abrantes acarinhar, foi um acto que não se apaga, nem se esquece com facilidade, numa organização secular como a Igreja Católica.
Para que alguns anónimos não venham a desvirtuar o sentido da minha ponderada crítica pessoal, elaborada em 22 de Outubro de 2009, já no rescaldo do acto eleitoral autárquico ocorrido a 10 de Outubro, aqui deixo a transcrição desse meu post, neste mesmo blogue:
Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009Carta do Sr. Cónego José da Graça publicitada há dias no site de Campanha de Maria do Céu Albuquerque
"Exma Senhora
Drª Maria do Céu Albuquerque
Felicito-a pela confiança que o concelho de Abrantes coloca nas suas mãos.
Desejo que os seus projectos e sonhos se concretizem, num ambiente de paz social, no exercício da cidadania.
Com amizade,
Cónego José da Graça"
.«Nota: Que sabe o Sr. Cónego dos projectos e sonhos da Srª Presidente de Câmara, ao ponto de ter relegado para segundo plano, o que lhe competia em primeira mão valorizar, no sentido cristão do apelo para que tivesse em atenção as muitas carências assistênciais da população municipal?
Poderá este seu voto ser pronúncio da involuntária " violação" do segredo de confissão, na hipotética presunção de que a Srª Presidente lhe teria confessado projectos e sonhos, que o comum do eleitor desconhece?
Mesmo assim, "o exercício da cidadania" para um Pastor da Igreja poderá ser resumido apenas, ao mero exercício laico da cidadania, sem a necessária envolvência assistêncial que os tempos que correm mais acentuam essa carência efectiva?
Levando em linha de conta e alta estima a Obra Social do Sr. Cónego, não parece fácil, conciliar essa mesma obra com o apoio dado de forma tão liberal, precisamente a uma autarca que disse desconhecer a verdadeira situação do "armazém do Banco Alimentar" ( no debate no Teatro de S. Pedro dia 6) e que quer chamar a si a orientação do futuro Museu Ibérico, cujo custo de milhões poderá anular ou impedir outras Obras locais, nomeadamente as Obras sociais que compete à Igreja defender.
Não se pode ser pirómano num dia e bombeiro no outro.
Quanto à paz social tememos que possa estar a ser confundida com a "paz dos cemitérios"...
Depois falamos.»
Publicada por João Baptista Pico à(s) 12:16