No blogue dos anónimos, ao que parece, ou segundo o que nos querem fazer crer, nunca se tinham apercebido de que sempre foi muito falada, a hipótese de uma candidatura do Sr. Cónego à câmara. Sei que havia pessoas a falarem muito nessa possibilidade. Também posso assegurar que no PSD de 2001 a 2004 e no CDS de 2007 a 2009, nunca a nível de direcções concelhias, tal hipótese foi acolhida com a mínima simpatia. Simplesmente, não havia quem o apoiasse, nem o seu perfil alguma vez se perfilou como interessante para a governação autárquica.
Porém, num concelho onde se apontam nomes, por simpatias, sem atender ao perfil e às capacidades pessoais para o cabal exercício autárquico, não surprende ninguém, que o nome do Sr. Cónego fosse muitas vezes apontado como candidato.
Mais: era apontado como "bom candidato", por quem não tinha a mínima ideia do que era governar um concelho com 714 km2. E quando assim acontece, não há mais lugar a discussões.
Hoje, não faltarão exemplos especulativos, quanto às pretensões do Sr. Cónego. Todavia, lendo nas "entrelinhas", uma entrevista do Sr. Cónego em Agosto de 2008, as dúvidas mais se acentuam. E não vejo onde é que há uma clara demarcação do Sr. Cónego, quanto a essa pretensão.
Basta ler algumas dessas passagens, para se admitir como plausível, essa mesma intenção, por parte do Sr. Cónego.
Vejam-se essas passagens mais marcantes:
«Pergunta: Interessa-se pela política?
Resposta: Não acredito nos políticos.
Pergunta: Porquê?
Resposta: Penso que estão mais voltados para os interesses pessoais que para o bem comum. Mas evidentemente que também há políticos sérios.
Pergunta: Engloba nesse saco os políticos de Abrantes?
Resposta:Todos. Sinto e vejo que realmente os políticos lutam apenas pelo seu partido, pelas suas ideologias e que para além disso não são capazes de aterrar e preocuparem-se muito mais com o bem comum e com o serviço à comunidade.
Pergunta:O que pensa do presidente da Câmara de Abrantes?
Resposta: É um homem que pensa as coisas, as planeia, as projecto e luta pelos projectos dele até ao fim. E consegue. Os projectos dele não seriam, sem dúvida, os meus se eu fosse presidente da câmara. Faria alguns projectos dele mas numa dimensão totalmente diferente.
Pergunta: Nunca pensou em ser presidente da câmara?
Resposta: Já fui convidado mais do que uma vez mas não tenho essa ambição. Gosto imenso daquilo que faço, de ser padre e de pôr a minha vida ao serviço dos outros. E creio que como padre posso ser muito mais útil do que se porventura fosse presidente de câmara.»
Nota: O Sr. Cónego foi longe de mais nas apreciações feitas aos políticos, e não teve a menor preocupação em se demarcar da crítica muito directa aos "políticos de Abrantes" e aos seus partidos. Muito para além, do que era admissível num eclesiástico, a quem não estava interditada a crítica, mas a quem se exigia maior contenção, segundo o que Jesus Cristo já professara há mais de 2000 anos, na máxima " a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus".
O "climax" surgiu na resposta, mais que suspeita e deveras elucidativa, onde o Sr. Cónego não resistindo a comparar-se ao presidente da câmara da época, [ Nelson de Carvalho] logo tratou de vincar de forma comprometedora, de que " os projectos dele não seriam, sem dúvida, os meus se eu fosse presidente da câmara".
Uma resposta demasiado comprometedora, só possível, em quem já havia, pelo menos mentalmente, equacionado a possibilidade de se candidatar, ao falar nestes termos bem elucidativos quanto aos seus propósitos: " (...) se eu fosse presidente da câmara".