O voto de unanimidade do Secretariado do PS local para a recandidatura da actual presidente, não pode deixar de ter uma leitura óbvia: o desespero dos militantes que não têm outra forma de sobrevivência política, ( e não só) que não seja continuarem "ligados à máquina municipal".
Toda a gente comenta hoje numa desilusão que contrasta em absoluto com a benignidade de acolhimento de 2009, onde não faltava a cada esquina, um deslubrado apego à graça e à simpatica ideia de se poder ter uma mulher jovem a governar o município, relegando para plano secundário, a notória incapacidade de gestão autárquica dessa candidata.
Alegavam alguns, que com o tempo iria aprendendo. Uma observação, em si mesmo, demasiado estúpida e imberbe. Como se o erário municipal fosse ilimitado e pudesse, nestes tempos de crise, pactuar com o amadorismo mais primário e mais ruinoso para o concelho.
O CDS a pretexto de trazer um ministro a Abrantes, a um local reservado e distante de qualquer assistência capaz de entoar a "Grândola Vila Morena", lá foi aproveitando o evento, em proveito do "clã familiar" do seu presidente concelhio, do filho presidente concelhio jotinha e do outro filho prestes a alcançar a liderança distrital da juventude do partido. Quanto ao candidato, mais parecia que estava ali, porque chegara a sua vez. A vez, sustentada na contagem de dois anos em vice-presidente da concelhia CDS. E alguns dos seus amigos que hoje o apoiam, já vão deitando contas à vez deles, que há-de chegar, mal surja a oportunidade de correr com este candidato, o que não deve tardar muito, pois a fila de futuros candidatos não pára de engrossar.
Ah, quanto a boas medidas e boas propostas para trabalhar no desenvolvimento do concelho, disso, nem é bom falarmos. Fica para depois, para quando houver mais vagar. Não queiram tudo ao mesmo, não é verdade?!
O PSD parece que quer apresentar o pior candidato de sempre, o que não deixa de constituir um mundo de novas oportunidades para todos os outros que já se perfilam na longa fila virada ao futuro.
E não faltou quem advogasse que a gestão municipal era qualquer coisa imensamente parecida com a gestão do Banco Alimentar, com os 37 mil eleitores a virem lá abastecer-se. Uma circunstância que a médio prazo teria um fim desastroso: estávamos todos mortos!
PASME-SE: no meio de tanta congeminação sobre bons candidatos - curiosamente, é bom sublinhar esse facto peculiar, todos os candidatos são bons, desde que possam ser convidados por um bom grupo de amigalhaços, lá da turma ou do café em que se juntam - ainda ninguém achou por bem, reunir-se e questionar-se sobre o que é que podemos fazer por Abrantes e pelo seu vasto concelho.
Dá-se mais importância ao filho de algo, ao facto de ser bem parecido, alto e magro, de preferência. E simpático. Sim, muito simpático. Como se a simpatia gerasse muitas soluções para o concelho. Santa ingenuidade. Para não lhe chamar: trafulhice...!
Há 38 anos que não passamos disto: uma miséria.
Dá-se mais importância ao filho de algo, ao facto de ser bem parecido, alto e magro, de preferência. E simpático. Sim, muito simpático. Como se a simpatia gerasse muitas soluções para o concelho. Santa ingenuidade. Para não lhe chamar: trafulhice...!
Há 38 anos que não passamos disto: uma miséria.