Devo desde já, focar nestas breves notas algumas precisões fundamentais para a análise dos factos revelados, a saber:
1 - Muitos dos factos transcritos nestes últimos dias, através deste blogue, são anteriores aos relatos descritos no livro de Manuel Batista Traquina " O Souto - Uma Cultura - Um Povo", pois remontam a artigos publicados nos jornais locais, com especial relevo para o " Jornal de Abrantes" e " Nova Aliança", a partir de 2001 e nos anos seguintes, e principalmente para o jornal " Correio Lisboa Zêzere" editado e dirigido por mim, entre Novembro de 2002 e Outubro de 2004.
2 - Sendo certo que Manuel Batista Traquina foi um colunista do "Correio Lisboa Zêzere", em 2003 e 2004, onde publicou pelo menos oito textos que acabou por reproduzir no todo ou em parte no seu livro editado em Agosto de 2007, sem ter pedido licença para os publicar no seu livro, nem ter tido a gentileza de uma menção ao nome do jornal em questão, apontando a origem dessas citações, como de resto estava obrigado pela Lei de Imprensa, facilmente se depreende que o livro em causa não apresenta o necessário carácter de isenção que seria desejável; por outro lado, a referência que tenho que fazer a esse livro tem toda a razão de ser, não por uma questão pessoal, mas pela verdade dos factos, que se deturpam constantemente, como se de um "apagão" se tratassse.
3 - Entre a página e meia "ocupada" nesse livro com a Fundação da Sociedade Recreativa e a descrição histórica relatada com todos os pormenores e com mais de uma dezena de nomes de fundadores e principais amigos, benfeitores e colaboradores, se percebe que o livro peca por demasiadas omissões e retira até ilações e conclusões erradas, como a que diz respeito ao abandono do projecto da sede para o terreno da "Ti Mariana" na Portelinha, indeferido pela CMA, e que o livro ignora no seu todo, deturpando de forma fantasiosa a questão por completo.
4 - Quando num destes próximos dias falar sobre a Casa do Povo que no livro "ocupa" sete páginas, agregando duas do Centro de Dia, que o livro tenta omitir quanto às suas origens fundacionais na Casa do Povo, - como de resto a implantação no terreno não deixa quaisquer margens para dúvidas dessa geminação inicial - iremos perceber melhor as motivações pessoais e familiares do autor do livro, pois o relato dos factos assenta numa falta de isenção e de rigor histórico, caindo mesmo na pura "révanche" familiar, atendendo ao facto do pai do autor ter sido afastado da primeira direcção da Casa do Povo, onde era tesoureiro,( sinal revelador da minha crítica, está bem patente no facto de ser a única entidade associativa onde o livro revela a lista de todos os dirigentes fundadores, entre eles o pai do autor do livro) sem que o autor do livro tenha tido a coragem de revelar, que a atribulada implantação da Casa do Povo nos idos de 1958, feita à custa dos pagamentos compulsivos de quotas mensais algumas vezes injustas, assentes em valores divergentes de uns para outros sócios, por critérios fixados por "avaliações" que a direcção determinava por métodos discricionários e pouco justos;
...
...atente-se no desprestigiante método recorrente e abusivo das "penhoras" a bens pessoais dos sócios que se recusavam a pagar essas quotas desproporcionadas, recaindo as mesmas sobre bens essenciais como a loiça da cozinha, a cama de ferro, o colchão e as roupas da cama, uma manta, um tear, as alfaias agrícolas, indo depois para as ovelhas, as cabras e os burros, o que dá de si, a pior das imagens possíveis da benemérita instituição social que os fundadores teimaram em desacreditar por completo, logo à nascença.
5 - Quanto às três páginas onde o livro fala da água da fonte e da Cidas no mesmo capítulo, percebe-se muito bem quanto a alusão à Revolução de Abril é espúria e ao mesmo tempo, de que não é nada inocente o facto, do autor nunca ter referido um único nome de entre os dez primeiros sócios outorgantes da escritura pública em Janeiro de 1976, e como tal, fundadores da Cooperativa de Rega;
facto que diz bem da incoerência de registo dos factos em contraponto com o que noutros capítulos se reproduz;
houve um nítido preconceito do autor, que só registou o que muito bem entendeu, pelo que avulta em demasia, o propósito de usar esse livro como um verdadeiro "apagão" ou se quiser, um claro "manifesto revisionista" da História do Souto;
daí o meu repúdio desde sempre a esse livro.
A História não se compadece com amadorismo, mascarados ainda por cima, com preconceitos revisionistas.
facto que diz bem da incoerência de registo dos factos em contraponto com o que noutros capítulos se reproduz;
houve um nítido preconceito do autor, que só registou o que muito bem entendeu, pelo que avulta em demasia, o propósito de usar esse livro como um verdadeiro "apagão" ou se quiser, um claro "manifesto revisionista" da História do Souto;
daí o meu repúdio desde sempre a esse livro.
A História não se compadece com amadorismo, mascarados ainda por cima, com preconceitos revisionistas.