A IMPORTÂNCIA da SOCIEDADE RECREATIVA NO SEU TEMPO FUNDACIONAL
A fundação da colectividade, do ponto de vista histórico e sociológico, vem provar a existência de um Souto a duas velocidades. A velocidade dos "tradicionalistas", onde pontificam as pessoas mais ligadas à vivência do dia a dia segundo os padrões antigos: a agricultura de subsistência, o comércio local e os trabalhadores rurais que retornaram de LIsboa ou que nunca saíram do Souto.
Estas pessoas costumavam cercar o pároco e limitar a vida da paróquia aos seus desígnios de culto, gerando entraves na realização das festas tradicionais e impondo a repulsa dos bailes, com todo o mau estar vivido, pelo menos até 1968.
A partir da reunião magna (com muitos soutenses) realizada nas instalações do Pavilhão da Reboleira, na Amadora cedido pela firma J. Pimenta, - ironicamente ocorrida, em Maio de 1968, embora não houvesse ligação alguma ao movimento estudantil de Paris, como está bom de ver - reunião essa levada a cabo pela nova dinâmica do Padre João Rosa, chegado no ano anterior à paróquia do Souto, e que teve a virtude de juntar o "rebanho de fiéis", como mandam os bons ensinamentos da Igreja, muito na lógica do Vaticano II. Foi a Igreja quem restituiu o "estatuto de cidadania" aos filhos afastados da terra, e os procurou chamar às actividades obreiras da paróquia.
Esta visão estratégica foi concebida por um pároco nascido nas Fontes, então freguesia do Souto, o Padre João Rosa. Finalmente, um Bispo de Portalegre e Castelo Branco fez justiça ao povo do Souto e emendava a mão pelo abandono a que votara os seus fiéis desde a submersão das terras com a albufeira do Castelo de Bode.
De 1968 até 1983, houve um período áureo, com a cidadania a trabalhar em Lisboa durante a semana e no regresso aos fins-se-semana a imporem outra vivacidade e outra modernidade nas vivências locais.
Em 1983 chegou a crise de identidade, - foi um ano de crise onde entrou o FMI, no governo de Mário Soares, com Ernâni Lopes nas Finanças - com a divisão da freguesia do Souto em três, um momento de cisão, triste e de mau prenúncio para o futuro da terra.
Na reunião de 2 de Novembro de 1983 - dia de Finados - o então membro da Assembleia de Freguesia de Souto, João Baptista Pico, seria o único a votar contra a divisão da freguesia, depois de num discurso escutado em grande silêncio por todos, puxar de uma carta onde anunciava a sua demissão a partir daquela data. Li mais tarde na Acta dessa reunião que houve quem teimasse em já não considerar o seu voto contra, porque alegavam que deixara de pertencer à Assembleia de Freguesia, o que diz bem do receio que ainda tinham por aparecer um voto contra, quando o politicamente correcto só queria o registo como válidos dos quatro votos de abstenção e os seis ou sete votos a favor, e nunca aquele voto contra. Registe-se...
Voltando à importância da colectividade, a localização da sede da Sociedade Recreativa veio acabar com a falta de terrenos para grandes obras na terra.
A Rua J. Pimenta, ao ser projectada e executada pelo benemérito João Pimenta impediu o indeferimento da CMA, quando em 1970 foi para aprovação a nova sede da Casa do Povo num terreno contíguo à Sociedade Recreativa. E esta colectividade aceitpou a cedência dos seus terrenos para o topo poente dessa rua, mesmo diante da sua entrada principal. Estávamos diante de um novo urbanismo na terra.
O presidente Dr. Agostinho Batista, [ veio propositadamente de Abrantes, com o Engº Serafim e o vereador Prof. Firmino Matias para o encontro no Souto, junto à Sociedade Recreativa que arrancava a sua construção, e onde o aguardavam a Junta de Freguesia, João Pico e Adelino Branco pela direcção da Socieddae e ainda os irmãos Luís e João Pimenta] teve que acatar a ideia de João Pimenta e afastar o impedimento, mais uma vez protagonizado pelo parecer técnico negativo do Engº Serafim, que encontrou nos estatutos das Casas do Povo, uma cláusula que as obrigava a implantarem-se a menos de 500 metros dos centros dos povoados. Acontecia, que sem a Rua J. Pimenta a rasgar os quintais de Trás das Tapadas ao Adro, a estrada circundante que ia do adro, pelo cimo da ladeira da Fonte ou pela Rua das Amendoeiras até à loja do padeiro e do Sr. João da Rosa até subir a meio da Rua do Caminho da Maxieira teria mais de 600 metros de distância. Com a Rua Jota Pimenta essa distância da Casa do Povo ao Adro encurtava para os 150 metros.
Foi salva in extremis, graças à intuição do industrial João Pimenta, que deixou todos boquiabertos.
A Rua J. Pimenta, ao ser projectada e executada pelo benemérito João Pimenta impediu o indeferimento da CMA, quando em 1970 foi para aprovação a nova sede da Casa do Povo num terreno contíguo à Sociedade Recreativa. E esta colectividade aceitpou a cedência dos seus terrenos para o topo poente dessa rua, mesmo diante da sua entrada principal. Estávamos diante de um novo urbanismo na terra.
O presidente Dr. Agostinho Batista, [ veio propositadamente de Abrantes, com o Engº Serafim e o vereador Prof. Firmino Matias para o encontro no Souto, junto à Sociedade Recreativa que arrancava a sua construção, e onde o aguardavam a Junta de Freguesia, João Pico e Adelino Branco pela direcção da Socieddae e ainda os irmãos Luís e João Pimenta] teve que acatar a ideia de João Pimenta e afastar o impedimento, mais uma vez protagonizado pelo parecer técnico negativo do Engº Serafim, que encontrou nos estatutos das Casas do Povo, uma cláusula que as obrigava a implantarem-se a menos de 500 metros dos centros dos povoados. Acontecia, que sem a Rua J. Pimenta a rasgar os quintais de Trás das Tapadas ao Adro, a estrada circundante que ia do adro, pelo cimo da ladeira da Fonte ou pela Rua das Amendoeiras até à loja do padeiro e do Sr. João da Rosa até subir a meio da Rua do Caminho da Maxieira teria mais de 600 metros de distância. Com a Rua Jota Pimenta essa distância da Casa do Povo ao Adro encurtava para os 150 metros.
Foi salva in extremis, graças à intuição do industrial João Pimenta, que deixou todos boquiabertos.
Sem essa Rua, não haveria hoje Casa do Povo, Posto Médico e Centro de Dia com espaço para se fixarem e expandirem. E a própria Sociedade Recreativa, com o seu campo de jogos estaria mais isolada. A importância estratégica da Rua J. Pimenta só podia mesmo recolher uma única denominação merecidamente justa: o nome do benemérito e seu criador, João Pimenta.
Não há mais nada a contrapôr!
O Veredaor João Baptista Pico agiu bem quando propôs aquele nome na sessão da CMA e recolheu a unanimidade a contra gosto de toda a vereação, em Agosto de 2002. Contra factos não havia argumentos.
Não há mais nada a contrapôr!
O Veredaor João Baptista Pico agiu bem quando propôs aquele nome na sessão da CMA e recolheu a unanimidade a contra gosto de toda a vereação, em Agosto de 2002. Contra factos não havia argumentos.
A partir daí, foi o irmão Luís Pimenta quem na Direcção da Casa do Povo preparou os projectos e comprou os terrenos e procedeu às cedências e trocas entre herdeiros para podermos ter todas aquelas instituições ali bem junto da Sociedade Recreativa, que dera o primeiro sinal de moderna urbanidade na terra.
A Revolução do 25 de Abril veio deixar os projectos parados. Só em 1977 é que se inaugurou a sede da Casa do Povo.
Entretanto, em 1975 arrancava a ideia da CIDAS - Cooperativa de Irrigação e Desenvolvimento Agrícola do Souto. Mais uma vez os terrenos da Sociedade serviram para a implantação dos depósitos das águas captadas de forma inédita para a região, na albufeira, cujas águas haviam começado a subir ainda no outono de 1950. Foi inaugurada a Barragem do Castelo de Bode em Janeiro de 1951.
E os comerciantes que temeram a nova centralidade urbana junto aos terrenos da Sociedade, depressa perceberam que a dinâmica imposta gerara maior atracção à terra, ao Adro e a todo o Souto em geral. Ganharam todos com essa nova dinâmica urbana, só interrompida com a cisão de 1983/1985 e depois com o castrador PDM de 1995...
Foi quando o jacobinismo dos poderes autárquicos instalados, mais pugnaram pelo retrocesso histórico, fazendo com que os soutenses que trabalhavam por LIsboa, já não se pudessem manisfestar com o poder de influência de então, pois a nova lei eleitoral retirara-lhes o estatuto de eleitores na sua própria terra. A partir daí, os soutenses residentes foram presa fácil das lutas partidárias e do poder asfixiante das elites municipais, que nunca mais ligaram ao desenvolvimento das freguesias rurais. Tudo fizeram para afastarem as elites locais mais esclarecidas da discussão do futuro da terra, por receio de perda de votantes. A sua "política jacobina" teria caído por terra se essas elites das freguesias pudessem ter tido outra oportunidade de intervenção. Nas aldeias os caciques amestrados ao poder municipal também tudo fizeram para afastarem os mais capazes e os mais esclarecidos. As freguesias começaram a ficar reféns dos medíocres. Azar dos Távoras!
A decadência das freguesias rurais, como o Souto, tiveram todas esse desígnio trágico. Registe-se...